Novo apelo dos agricultores no apoio à subida dos combustíveis e fertilizantes
Depois da CONFRAGI – Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas ter apelado ao Governo o apoio no preço do combustível agrícola, chegou a vez da CNA - Confederação Nacional da Agricultura vir exigir mais medidas de suporte à subida dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes.
A realidade é a de que o preço do gasóleo agrícola não pára de aumentar desde o início da Guerra no Irão, tendo já subido cerca de 30%, “um aumento brutal” para a CNA, em menos de três semanas e que, em proporção, é superior ao do gasóleo rodoviário.
Ao acréscimo da fatura com os custos energéticos somam-se os aumentos dos fertilizantes (mais de 35% da ureia comercializada passa pelo Estreito de Ormuz) e a “perspetiva é de subida dos restantes fatores de produção”, ressalva a confederação.
A questão é preocupante, como dizem. “Estes incrementos vêm agravar a situação de muitos milhares de agricultores que já se encontram numa situação muito difícil devido às intempéries dos meses de janeiro e fevereiro e, também por isso, são necessárias medidas de apoio a este setor que é essencial para alimentar a população. As medidas anunciadas pelo Primeiro-Ministro não contemplaram o sector agrícola”.
Apesar do momento tenso entre Governo e agricultores, a CNA quer acreditar que se “tratou de um lapso” e espera que na reunião do Conselho de Ministros, realizada ontem, os governantes considerem “o setor agroflorestal como estratégico, reconheça a situação difícil dos agricultores e concretize medidas de apoio que tenham efeitos imediatos”.
A CNA propõe desde já a equivalência nas medidas de apoio previstas para as restantes atividades económicas, como forma de “atenuar e reverter os efeitos de mais de 30 cêntimos de aumento acumulado no gasóleo agrícola”.
A proposta passa pelo “controlo efetivo do mercado energético, com a regulação de preços”, mas também “pela criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes e outros fatores de produção, de forma a permitir a aquisição destes produtos a preços mais favoráveis”.
Advertem ainda para “o combate à especulação dos preços, quer nos fatores de produção, quer nos restantes agentes da fileira, de forma a impedir aproveitamentos da situação para a maximização de lucros”, sendo que os controlos “devem ser efetivos e constantes”.
Por fim, a Confederação Nacional da Agricultura reivindica “que as medidas têm de chegar a todos os agricultores, principalmente à Agricultura Familiar. Se não agir de imediato, com medidas destinadas ao setor, o Governo está a abandonar os agricultores à sua sorte podendo inviabilizar toda uma campanha de produção, já de si bastante comprometida”.