Mais de 20 oradores debatem esta sexta-feira, dia 8 de maio, temas como eficiência e diversidade no olival, inteligência artificial na gestão agrícola e valorização por diferenciação, na 9.ª edição do Congresso Nacional do Azeite, a partir das 9h00 no Cine-Teatro Caridade, em Moura.

O encontro está inserido na Feira Nacional de Olivicultura – OlivoMoura, que decorre de 7 a 10 de maio no Parque Municipal de Feiras e Exposições.

Esta iniciativa acontece numa região central para a olivicultura portuguesa, num setor que prevê alcançar 700 milhões de euros e 160 mil toneladas na campanha 2025/2026, com mais de 90% de azeite extra virgem de elevada qualidade. Portugal consolida-se como o 6.º maior produtor mundial e 3.º maior exportador europeu.

Moura é uma das cidades de referência no Baixo Alentejo na produção de azeite da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, enquanto “epicentro” do setor olivícola e que “engloba passado e futuro da fileira”, como frisou o Presidente do CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, Manuel Norte Santo.

Na entrevista à Planície o responsável defendeu os benefícios da região agregado a este importante ativo. 

“Todo o Alentejo, em especial o Baixo Alentejo tem vindo a beneficiar muito do desenvolvimento e da transformação tecnológica inovadora deste setor. Neste momento temos os olivais mais modernos, as práticas agrícolas inovadoras e os lagares de última geração no nosso território. Isto obviamente que trás grandes benefícios para a economia, trás outros agentes comerciais a trabalhar a nossa economia como fornecedores e, claro, também um acrescente de mão de obra para o mercado de trabalho muito importante, porque necessitamos cada vez mais de mão de obra qualificada. É um catalisador importante neste âmbito. Tem um impacto cada vez maior na economia nacional, mas que no nosso território tem ainda uma expressão maior”, segundo a visão do presidente.

A organização promove um painel inovador sobre inteligência artificial e novas tecnologias com especialistas da tecnologia, academia e produtores.

A sessão de abertura inclui intervenções do Presidente do CEPAAL e do Presidente da Câmara de Moura, Álvaro Azedo.

Ainda a apresentação do estudo “Evolução do Trabalho na Agricultura na Agricultura”, uma análise exposta pelo Diretor Geral da CONSULAI, Pedro Santos, no ano em que a empresa celebra 25 anos de atividade.

A reflexão mostra, entre outros aspetos, que o Alentejo concentra 54,7% da área agrícola em Portugal, mas apenas 11,3% da mão-de-obra, refletindo um modelo mecanizado, enquanto regiões como Algarve ou Oeste apresentam produtividades superiores a 5.200 euros por hectare, com maior intensidade de trabalho.

A investigação analisa as principais transformações no mercado de trabalho agrícola, abordando temas como o perfil do trabalhador, níveis de qualificação, sazonalidade da mão de obra e os constrangimentos estruturais que impactam o setor.

Outra das intervenções relevantes é a de José Duarte, Presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos e vogal da direção da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal no tema “Casos de Sucesso na Valorização através da Diferenciação”, no III Painel, a partir das 15h00.

Entre os destaques do programa, o Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo sublinha a palestra do Presidente da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, Álvaro Beleza, sob o tema “Portugal: Porto de abrigo da Europa”. Aqui pode ser entendida a perspetiva económica e geopolítica sobre o posicionamento do país e os seus impactos nas cadeias agroalimentares.

O encerramento do 9º Congresso Nacional de Azeite está a cargo do Presidente da CCDRA, Ricardo Pinheiro e do Presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, perto das 17h00.