Vindimas – Adega Cooperativa da Granja Amareleja antecipa colheita devido ao calor
De agosto a setembro, a tradição no Alentejo celebra-se com a apanha da uva e tudo o que envolve esta actividade, desde a colheita, à produção, às castas mais frequentes por cá e ao Enoturismo, associado a este momento como uma oportunidade para quem quer conhecer o processo e degustar os melhores vinhos da região. …
De agosto a setembro, a tradição no Alentejo celebra-se com a apanha da uva e tudo o que envolve esta actividade, desde a colheita, à produção, às castas mais frequentes por cá e ao Enoturismo, associado a este momento como uma oportunidade para quem quer conhecer o processo e degustar os melhores vinhos da região.
A Planície tem vindo a falar com responsáveis de adegas e produtores do Baixo Alentejo e, hoje, foi a vez de Manuel Bio, presidente do Grupo Abegoaria e da Adega Cooperativa da Granja Amareleja desde 2007.
Na adega já se vive a rotina própria desta altura. A apanha da uva começou a semana passada com as uvas brancas, mas o excesso de calor obrigou a que se colhessem as tintas, quase em simultâneo, porque o aquecimento acelerou o grau das uvas, fundamental para determinar a maturação do fruto e o teor de açúcar.
Para o produtor foi necessário antecipar o processo. “Parecia que seria uma vindima que ia começar bem mais tarde, mas acelerou bastante na última semana. Neste momento, já temos uvas com graus demasiado altos com 15° e 16° sobretudo nas vinhas de sequeiro”.
A experiência de vários anos confere ao presidente da adega alguma confiança, mas já sabe de antemão que a colheita este ano, “não vai ser muito grande”. “A Cooperativa Agrícola da Granja Amareleja tem muita vinha nova a entrar em produção, o que muitas vezes disfarça alguma perda nas existentes, mas vai ser um ano (de colheita) inferior ao do ano passado, até porque a uva que está a chegar à adega não tem o peso que as pessoas estavam à espera que ela tivesse. Em alguns casos, chega um pouco desidratada o que acaba por dar menos peso, mas a qualidade está muito boa. Temos essa parte que está bastante positiva neste momento”.
Como resultado, “a produção ronda este ano aproximadamente os 2 a 2,5 milhões de quilos de uva com a entrega de quase 92 associados”. O ano passado a produção foi de 3 milhões de quilos de uva entregue.
O factor clima, essencial no sucesso ou fracasso da colheita, voltou a sentir-se de forma intensa com os calores de julho e de agosto. Foi prejudicial na “quantidade”, como explicou Manuel Bio que “começou logo a estar em causa versos os anos anteriores. Na altura da floração, houve logo alguma uva menos consistente em algumas vinhas, principalmente em vinhas velhas e percebeu-se que iria ser um ano médio ou abaixo da média e isso está a verificar-se”, certificou o produtor.
No que diz respeito às castas tintas, Manuel Bio avançou que as três principais da região continuam a ser o “Alicante Bouschet, o Syrah e o Aragonês e um pouco das que estão espalhadas pelo Alentejo inteiro, como os Cabernet Sauvignon e as Tourigas, mas neste caso, muito pouco”.
Nas castas brancas, as mais comuns como disse são “Roupeiro, a que temos mais, o Antão Vaz e o Arento. São as castas que mais volume acabam por fazer na sub-região Granja Amareleja”, expressou o presidente da adega.
Competitividade, sustentabilidade e qualidade, são requisitos determinantes na promoção dos vinhos do Alentejo lá fora, um sector que precisa de apoios como sabemos, mais precisamente de “apoios selectivos” como referiu o responsável. “Eu tenho uma visão muito própria. Nós não podemos estar constantemente à procura de apoios para queimar vinho só porque temos excesso. Eu acho que Portugal tem de ter uma estratégia muito bem definida em termos comerciais e adaptar as áreas, àquilo que são as suas vendas, mas continuamos a ter oportunidades muito grandes lá fora para que as vendas do vinho português, continuem a crescer”.
A internacionalização do mercado passa por um incentivo para aumentar as vendas. “Estamos a falar de um sector que tem muitos pequenos produtores e que tem muito mais dificuldade em conseguir ir para o mercado internacional e ter uma estratégia de venda nesses mercados pelas suas características: tipo de vinho, dimensão e capacidade de investimento. Sou muito defensor que o que nós mais precisamos é de um incentivo para aumentarmos as nossas vendas nos mercados externos e com isso, resolveríamos uma grande parte dos problemas que temos em Portugal”. É esta a opinião de Manuel Bio quando se fala na aposta das vendas do vinho português em mercados competitivos.
A produção de vinho da Adega da Granja Amareleja, relativamente pequena, acaba por ter maior expressão através do grupo empresarial fundado pelo produtor. “A sua comercialização está no Grupo Abegoaria, que é um grupo de maior dimensão que está em outras sub-regiões e acaba por beneficiar também dessa realidade. Como eu costumo dizer, somos muito mais “fracos em casa” e em termos regionais até não somos um produtor que se destaca muito na venda regional, mas em termos nacionais e internacionais, aí sim, fazemos grande parte das vendas”, frisou Manuel Bio presidente do Grupo Abegoaria e da Adega Cooperativa da Granja Amareleja desde 2007.