“Vacinação não atinge os objetivos desde que foi entregue às farmácias” – SEP Alentejo
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e a Delegação Regional do Alentejo estão contra a vacinação da gripe e da covid-19 poder ser feita também nas farmácias, em simultâneo com os Centros de Saúde. A questão não é de agora, mas voltou a ser notícia por estar a faltar a vacina da gripe em algumas …
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e a Delegação Regional do Alentejo estão contra a vacinação da gripe e da covid-19 poder ser feita também nas farmácias, em simultâneo com os Centros de Saúde. A questão não é de agora, mas voltou a ser notícia por estar a faltar a vacina da gripe em algumas Unidades Locais de Saúde do país destinada a pessoas com 85 ou mais anos e que está relacionada com a campanha de vacinação iniciada em setembro.
Carolina Ribeiro, coordenadora do SEP no Alentejo, desconhece se esta situação se passa na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), por não ter consigo “dados” que lhe permitem opinar sobre o assunto. No entanto, discorda com os procedimentos adotados pelo Ministério da Saúde.
“No ano passado já se tinha verificado na mesma altura do ano, que a cobertura vacinal da população não atingiu os objetivos desde que foi entregue às farmácias. O que acontecia é que nesta altura do ano, quando o plano vacinal da covid-19 e da gripe era feito exclusivamente nos Centros de Saúde, os enfermeiros tinham a planificação e o número de utentes completamente orientada. Além disso, também existia aí uma qualidade de cuidados que tem vindo a diminuir nos últimos dois anos, o ano passado e este ano, já que os dados demonstram que o número de utentes vacinados é menor do que quando a vacinação era realizada nos Centros de Saúde”.
A enfermeira da ULSBA recorda a importância deste processo para os utentes. “A vacinação não é um ato de pouca importância, tem de haver o mínimo de vigilância e isto tem a ver com o quadro onde se faz. Temos noção que no Centro de Saúde, o número de profissionais de saúde e as competências são outras. Portanto, continuamos a alertar que o facto de haver vacinação nas farmácias demonstra que é um desvio de cuidados que devia ser prestado nos Centros de Saúde e que não é”.
Carolina Ribeiro aponta uma explicação para o sucedido e que tem a ver com “interesses que todos nós já sabemos e que dizem respeito a algum dinheiro que vá para os privados e não fique no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
Sublinha que “não se pode menosprezar o que é uma vacinação. Felizmente, na maioria dos casos corre bem e não há problemas, mas se correr mal, o facto de estar numa farmácia não tem a mesma resposta se o utente estiver num Centro de Saúde onde há equipas multidisciplinares com outras competências na área da saúde a nível destes cuidados”.
Frisa que a nível nacional como é do conhecimento há essa falta de vacinas nomeadamente da gripe em algumas Unidades Locais de Saúde do país, mas que não tem conhecimento se está a acontecer na ULSBA. “Não tive ainda feedback”, garantiu. “Se houver essa informação continuamos a defender que a logística de ter passado a vacinação para as farmácias não tem resolvido, antes pelo contrário, tem diminuído a qualidade e a cobertura do número de utentes na mesma altura do ano. É uma solução que foi encontrada, mas que não resolveu nada. Os utentes que deveriam ser vacinados ainda não o estão. Esta solução de passar as vacinas para as farmácias não tem demonstrado nenhum resultado positivo. A nossa posição é a correta e continuamos a defender que a vacinação tem de voltar para os Centros de Saúde”, sustenta Carolina Ribeiro.
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses avança que o Governo “decidiu continuar a externalizar a vacinação para as farmácias, pagando por isso 7,5 milhões de euros, este ano, ainda que tenham sido disponibilizadas vacinas, também para os Centros de Saúde”.
O sindicato chama a atenção para as falhas informáticas do processo. “Não por poucas vezes, houve queixas de que o sistema informático que permite registar as pessoas que são vacinadas, não funcionaram nos Centros de Saúde ainda que não exista registos dos mesmos constrangimentos nas referidas farmácias. Por esta razão, vários foram os portugueses que tiveram que prescindir do seu Centro de Saúde e do seu enfermeiro de família, para recorrer à farmácia na comunidade”.
Para o organismo, “a indicação de vacinação dos mais de 85 anos nos Centros de Saúde prende-se com questões de segurança por existir capacidade de intervenção imediata, especializada, caso aconteçam incidentes críticos, no fundo, a preocupação que deveria existir relativamente a toda a população. Esta situação é mais uma, que demonstra a falta de planeamento que grassa no SNS e cuja responsabilidade é do Governo”.