Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo confirma aumento de casos de gripe A
A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) confirmou à Planície o aumento de casos de gripe A (causada pelo vírus Influenza e com sintomas mais severos) nos últimos dias, uma situação semelhante à que ocorre um pouco pelo país.Vera Guerreiro, diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares da ULSBA adiantou …
A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) confirmou à Planície o aumento de casos de gripe A (causada pelo vírus Influenza e com sintomas mais severos) nos últimos dias, uma situação semelhante à que ocorre um pouco pelo país.
Vera Guerreiro, diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares da ULSBA adiantou que os casos de gripe “acentuaram-se nas últimas semanas e nos últimos dias, quer em termos do número de pessoas que recorrem aos nossos serviços de saúde muito em particular ao Serviço de Urgência e também em paralelo, com o número de diagnósticos que são feitos de gripe”.
A especialista em Medicina Interna assegurou que tal como o cenário no resto do país, no Baixo Alentejo “predominam os casos de gripe A e tem sido esse o principal diagnóstico realizado, mas efetivamente estamos a aumentar o número de casos”.
Devido a esta avaliação o Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, viu-se obrigado a ativar “o nível de contingência hospitalar para o nível 1”, o primeiro patamar de um plano quando se está perante uma situação de crise.
Vera Guerreiro explicou que este nível “reflete-se essencialmente na pressão no internamento e, com o número de doentes que necessitam de internamento. Portanto, a ocupação das camas hospitalares é o nosso primeiro nível ainda sem necessidade de interrupção ou interferência com a atividade programada normal”.
O pico da gripe segundo informação da Direção-Geral de Saúde (DGS) está previsto chegar ainda durante este mês de dezembro, “mais para o fim, mas ainda este mês, mas tudo isto são previsões. Depois o que se vai verificar pode ser diferente”, salientou a especialista.
Transversal a todas as idades, o vírus da gripe A tem maior incidência em adultos e com sintomas de “maior gravidade, fruto de outras doenças que as pessoas apresentam e as tornam mais vulneráveis”, observou.
A médica frisou ainda que este ano na região do Baixo Alentejo, a percentagem de população vacinada está “abaixo do que temos visto em outros anos. A adesão tem sido um pouco mais baixa na vacinação da gripe e na do covid-19 ainda mais. Portanto, não sei se isso acaba por ter algum reflexo ou não, possivelmente sim”.
O que se sabe é que a afluência à urgência da ULSBA tem sido grande, também por “pessoas mais novas e com sintomas mais ligeiros”. O ideal, diz Vera Guerreiro, “seria que se tomassem medidas sintomáticas e que as pessoas não precisassem de recorrer à urgência até porque o tratamento da gripe, tirando quando há complicações, acaba por ser sintomático e não há propriamente nada do ponto de vista hospitalar que consigamos oferecer que vá reduzir o tempo da doença ou modificar o prognóstico”.
Mas na verdade são os utentes mais velhos que continuam a procurar mais o recurso à urgência. “Os doentes mais idosos, com mais doença e mais dependentes, tem sido esse o número que depois afeta muito o funcionamento da urgência e que tem aumentado depois o número de internamentos necessários. Esses acabam por predominar efetivamente no nosso Serviço de Urgência”.
Comparativamente com o mês de dezembro de 2024 e de 2025 no que diz respeito aos casos de gripe, a diretora clínica da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo diz ainda não ter certeza quanto aos números. Adiantou, no entanto, que “têm estado muito alinhados com os do ano passado” sem notar uma “diferença significativa” até este momento. “Parecem nestes últimos dias estar a ultrapassar um pouco e tem sido este o aumento de números, como já tinha referido. Talvez o pico este ano possa ser mais precoce do que o ano passado, mas neste momento ainda não há uma diferença significativa”.
Os receios da população relativamente à vacinação da gripe e da covid-19 podem estar na origem ou não, deste crescimento de casos de gripe. “Acho que à medida que nos vamos afastando do que foi a realidade do covid-19 e há cada vez menos essa sensibilidade e o receio da doença e como persiste sempre algum ceticismo relativamente à vacina, acaba por ser inferior”, destacou.
“Na gripe eu acho que na população mais velha e também a mais vulnerável, nas ERPIS e nas instituições há uma cobertura muito boa. Depois no que é a decisão individual, às vezes é um bocadinho difícil para nós explicarmos o porquê desta menor adesão até porque existe mais disponibilidade de vacinas, quer nos serviços de saúde, quer nas próprias farmácias e, portanto, teríamos todas as condições para que a adesão fosse maior. Continua a fazer sentido para quem ainda não se vacinou e fica aqui o apelo: não só para si mesmo, para se proteger da doença, mas também para proteger os familiares e amigos, é fundamental que quem tem a recomendação para fazer a vacina da gripe, a faça”, afirmou a médica.
Antes de recorrer à urgência o que é que o utente deve fazer?
“Acho que a utilização de máscara para proteger aqueles que nos rodeiam deve ser uma prática que deveria ter ficado connosco do covid-19. É a mais eficaz para evitar a propagação da doença, quer no trabalho, quer no nosso dia-a-dia. Muitas vezes a expressão da gripe é diferente nos indivíduos e nem todos têm o mesmo tipo de sintomas e com a mesma gravidade. O fundamental é protegermo-nos, tratar os sintomas quando há febre. É perfeitamente possível tomar um analgésico, tomar o antipirético para tratar a febre, o descongestionante nasal para aliviar os sintomas e não havendo outros sinais de gravidade, a situação resolve-se ao fim de poucos dias”, observou.
Apesar disso, é preciso estar atentos a outros sinais. “Quando surgem outros sintomas como falta de ar, muitas vezes existem outras doenças associadas que descompensam, quando a febre não cede, aí temos obviamente de recorrer a uma ajuda médica que não tem necessariamente que ser o hospital, mas que deve ser sempre se possível os cuidados de saúde primários e o médico de família”, aconselhou Vera Guerreiro, especialista em Medicina Interna da ULSBA.