Regadio e Rede Natura são os grandes desafios do futuro da olivicultura em Moura
Durante o Congresso Nacional do Azeite, realizado na passada sexta-feira, em Moura, evento inserido na XVII OlivoMoura, José Duarte, Presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), fez parte do painel “Casos de Sucesso na Valorização Através da Diferenciação”.
O melhor exemplo são os azeites da CAMB reconhecidos em Portugal e no mundo onde se inclui obviamente o Azeite de Moura DOP Virgem Extra, premiado internacionalmente com diversas distinções.
O congresso conferiu na opinião de José Duarte, “uma projeção nacional à OlivoMoura, acontecimento importante para os produtores de Moura e de todo o setor” representado neste encontro.
Abordou-se o passado e o presente, mas acima de tudo o futuro do olival. As opiniões dos intervenientes foram unânimes quando à evolução no que diz respeito à inovação, criatividade, sustentabilidade e Inteligência Artificial.
O vogal da Confederação de Agricultores de Portugal garantiu que no horizonte temporal desta transformação estão assentes estes princípios, mas não só.
“Passa por aqui, mas passa acima de tudo por medidas políticas que permitam ao olivicultor, ao produtor agrícola, produzir alimentos em quantidade e em qualidade. Para isso é inevitável e imprescindível o acesso à água. Falo do nosso território, dos atrasos sucessivos das obras tanto no Bloco de Rega de Moura como de Póvoa/Amareleja que são essenciais para a revitalização da nossa olivicultora para conseguirmos ter um setor dinâmico com produtividade e qualidade acrescida”.
Uma realidade que só será possível se houver uma mudança nas regras atualmente existentes no concelho. “As medidas ambientais neste momento estão a matar a olivicultura e a agricultura no seu geral no concelho de Moura. É preciso criarmos uma flexibilização da Rede Natura para que consigamos conciliar a sustentabilidade económica e social, essencial num território de baixa densidade populacional como o nosso aliado à sustentabilidade ambiental. Para olharmos para o futuro temos que ver resolvidas todas estas questões importantíssimas para o nosso concelho e para o desenvolvimento da olivicultura”.
Outra importante nota deixada por José Duarte é a expansão do consumo de azeite.
“O grande desafio do setor é além do aumento de produção, aumentar também o consumo porque hoje em dia, o azeite representa menos de 2% do consumo mundial de gorduras líquidas e esse é o grande desafio porque temos um produto extraordinário para a saúde, reconhecido mundialmente e é o produto estrela da dieta mediterrânica. Recentemente nos Estados Unidos da América, o azeite foi colocado no centro da pirâmide alimentar e obviamente temos de aproveitar isso em Portugal, comunicar e organizarmo-nos para através de uma interprofissional promovermos o azeite português lá fora”.