Fabian Figueiredo, deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, dirigiu recentemente ao Ministério das Infraestruturas e Habitação por escrito, o assunto da degradação do serviço ferroviário na Linha do Alentejo, indisponibilidade simultânea do material circulante afeto à linha e ausência de plano de contingência da CP.

A questão vem na sequência de um incidente que aconteceu no passado dia 5 de maio com o comboio regional da CP que partiu de Beja às 10h45 com destino a Casa Branca, tendo ficado imobilizado em plena via, a cerca de 5 km da estação de destino, durante aproximadamente três horas. Na automotora encontravam-se perto de 20 passageiros que esperaram, de acordo com o deputado, “numa zona rural da planície alentejana, em condições de exposição solar”.

O apoio foi prestado por populares de um monte próximo e pela Guarda Nacional Republicana (GNR) que foi chamada a intervir. A composição só foi libertada após a chegada de uma locomotiva de socorro enviada de Lisboa, que a rebocou até Casa Branca.

De acordo com a informação documentada por Fabian Figueiredo, tudo indica que a automotora UDD469 já operava com apenas um dos dois motores desde o dia anterior, mas a operadora decidiu colocá-la em serviço comercial mesmo assim, não existindo da parte da empresa um plano alternativo da empresa para fazer face a situações deste género.

No seguimento da situação, o deputado expôs várias questões ao Governo através de um requerimento oficial da Assembleia da República.

Desde logo, se o Ministério das Infraestruturas e Habitação “teve conhecimento prévio de que a operadora pública CP - Comboios de Portugal, mantinha em serviço comercial, no dia 5 de maio de 2026, uma automotora (UDD469) com apenas um dos dois motores operacionais? Em caso afirmativo, em que data e por que via?”.

Por outro lado, “que diligências de fiscalização foram desencadeadas, pelo Ministério ou pelas entidades sob a sua tutela, em consequência dos factos ocorridos a 4, 5 e 6 de maio de 2026 na Linha do Alentejo?”.

Ainda, “como justifica o Ministério que, em declarações públicas proferidas a 27 de abril de 2026, o presidente da CP tenha reconhecido a inexistência de plano alternativo para fazer face à insuficiência de material circulante a diesel?”. Quanto a quem viajava na automotora, foi questionado “que assistência efetiva foi prestada pela CP aos passageiros imobilizados a 5 de maio de 2026? Foi assegurada, designadamente, refeição, água, comunicação atempada e transporte alternativo? Estão previstas indemnizações?”.

Algumas das perguntas dirigidas por Fabian Figueiredo ao Ministério das Infraestruturas e Habitação relacionadas com a degradação da linha ferroviária do Alentejo e especificamente sobre um incidente ocorrido no passado dia 5 de maio.

Sobre os acontecimentos, Alberto Matos, uma das figuras centrais do Bloco de Esquerda no distrito de Beja, garantiu que os episódios relatados pelo deputado do BE não são isolados e que se não fosse um “assunto trágico muito sério, seria quase uma anedota sobre alentejanos”. O bloquista relembrou que durante o Conselho de Ministros que decorreu no dia 30 de abril na Ovibeja, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, “prometeu três automotoras de último modelo que eventualmente estarão cá em 2027, que são automotoras bimodo e até garantiu uma ligação direta a Lisboa. A anedota do caso é que está previsto e não sei se vai ser cumprido, que as obras de eletrificação da linha arranquem ainda em 2026. Portanto, essas automotoras que chegariam em 2027 não vão entrar em funcionamento porque a linha vai estar fechada pelo menos dois anos, se não forem quatro ou cinco. Estamos a falar de automotoras fantasma”.

Entretanto, o BE tem a decorrer a petição "Por uma ferrovia de qualidade ao serviço da Região Alentejo", lançada em 2026 e que exige a modernização da Linha do Alentejo, focando-se na eletrificação, mais comboios e melhores horários, já ultrapassou as 1000 assinaturas. A ideia é chegar a Plenário para exigir não só a eletrificação de Beja/ Casa Branca, como a requalificação até à Funcheira, ligação ao Algarve, assim como a reabertura do Ramal de Moura. Essa petição continua e vamos insistir junto da população da Margem Esquerda e de Moura nesse sentido, porque isto é brincar com os alentejanos em geral e em particular, com as pessoas do distrito de Beja que é o mais abandonado em termos ferroviários”, declarou Alberto Matos.