Produtores de Serpa - Reunião com a CCDR Alentejo abre caminho a soluções na agropecuária
A Direção da APROSERPA (Associação de Produtores do Concelho de Serpa) reuniu-se ontem com a Vice-Presidente da CCDR Alentejo, Helena Cavaco (Agricultura), em Évora. O encontro ficou marcado pela “excelente recetividade e abertura institucional para a resolução dos problemas estruturais que afetam a agricultura de sequeiro e a pecuária extensiva da região”.
Ao longo da conversa, que decorreu num clima de cooperação, os dirigentes da associação, João Revez (Presidente) e António Morgado (Vice-Presidente), entregaram um memorando detalhado com as seis exigências críticas do setor, fundamentadas com dados científicos, demográficos e exemplos práticos do dia a dia das explorações.
Entre os temas levados à mesa, destacaram o impacto avassalador da teia burocrática nos licenciamentos agrícolas (com atrasos absurdos em necessidades urgentes como furos de abeberamento ou limpezas de matos), a injustiça no escoamento de produtos em Modo de Produção Biológico, a escassez de vacinas para a sanidade animal e o ‘garrote’ dos custos de produção. A taxa de carbono cobrada no gasóleo agrícola foi outro dos assuntos falados.
Os produtores agropecuários demonstraram à tutela, com base na investigação de entidades de referência como o MED (Universidade de Évora) e o ISA, que o sistema de sequeiro extensivo do concelho de Serpa “é um sumidouro líquido de emissões, limpando o ar do país. Ficou claro que quem presta este serviço ambiental não pode ser fiscalmente penalizado”, indicou a direção.
“O balanço do encontro é francamente positivo. A tutela reconheceu a validade e o rigor do diagnóstico apresentado pela associação, demonstrando uma enorme abertura para agilizar, dentro das suas competências regionais, as barreiras burocráticas que sufocam os produtores”, garantiu João Revez.
Sublinhou ainda que a direção saiu de Serpa “com a certeza de que a CCDR Alentejo percebe a gravidade da situação” com a exposição de “factos, ciência e a realidade nua e crua de quem investe e produz no nosso território, e encontrámos uma Vice-Presidente atenta, recetiva e, acima de tudo, disposta a ser parte da solução e não do problema", destacou o presidente do organismo. "O nosso concelho depende a 100% desta agricultura para a sua coesão territorial. Ter a CCDR como parceira e como nossa voz junto do Governo Central em Lisboa é um passo fundamental”, complementou o porta-voz.