Produtores da Região de Serpa preparam medidas de protesto contra acordos europeus
Depois de rejeitarem o Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul (envolve países como a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) porque o caminho é como diz a direção da APROSERPA – Associação de Produtores da Região de Serpa, “basicamente o fim da agricultura extensiva”, em que os produtores do concelho de Serpa dizem …
Depois de rejeitarem o Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul (envolve países como a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) porque o caminho é como diz a direção da APROSERPA – Associação de Produtores da Região de Serpa, “basicamente o fim da agricultura extensiva”, em que os produtores do concelho de Serpa dizem não ter “condições de competir em pé de igualdade com os países da América do Sul”, João Revez da direção afirmou à Planície que estão a ser preparadas outras formas de protesto.
“Vamos participar em outras iniciativas de âmbito nacional por parte de agricultores de Norte a Sul do país que estão desligados das duas grandes confederações que nós temos: a CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal e a CONFRAGI – Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e que neste momento não nos revemos. A postura na nossa opinião está errada, porque quando a CAP diz que o Mercosul é um acordo globalmente positivo, não é positivo para todos, é para uns e não é para outros. A agricultura portuguesa funciona na totalidade e não só em partes”, contestou João Revez.
Para o coordenador da APROSERPA, a agricultura do território, nomeadamente do concelho de Serpa, pode vir a ser muito prejudicada com o acordo. “Estamos a falar da agricultura extensiva e de sequeiro. Nós que praticamos agricultura nestes territórios marginais, estou a referir-me à margem esquerda do Guadiana, somos o principal fator de coesão. Se não estivéssemos aqui, não estava mais ninguém. Toda a gente fala nos incêndios do verão, mas no dia em que nós agricultores sairmos daqui e na região de Moura já têm mais incêndios do que nós aqui na região de Serpa em função do território, da orografia e da forma de ocupação, mas dizia eu que no dia em que desaparecermos, o combustível vai aumentar e vamos ter incêndios como temos no Norte e Centro do país de dimensões gigantescas”.
João Revez garante que todos estes fatores irão contribuir ainda mais para “a desertificação, assim como as alterações climáticas”.
Quanto à negociação da PAC - Política Agrícola Comum, a estratégia política da União Europeia para o setor agrícola, a direção dos Produtores de Serpa também irá tomar uma posição. “Não nos revemos e achamos que se pode fazer mais do que aquilo que está a ser feito e nós agricultores temos de ser ouvidos. Esse é o principal problema, nós agricultores não somos ouvidos e não nos revemos nas nossas principais confederações”.
Recorde-se que a APROSERPA identificou cinco ameaças existenciais no acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
O ataque triplo à pecuária em que um dos fatores é o número reduzido das quotas, mas “esconde-se a realidade técnica do mercado”. Também o fim dos cereais de sequeiro, que segundo a associação este compromisso vem colocar “uma lápide sobre a produção do Alentejo ao blindar juridicamente a entrada de milho sul-americano”, ou seja, com a garantia de milho “a preços de saldo para a indústria, retira-se qualquer incentivo à compra dos cereais de sequeiro nacionais”. Ainda o risco de incêndio, o Alentejo como “barril de pólvora” com consequências diretas para a proteção civil e a “inviabilidade económica da pecuária extensiva e dos cereais”, que levará ao abandono das terras. Por outro lado, a mentira das salvaguardas com o “fantasma do arroz” e recordam que o setor agrícola não esquece a crise do arroz em 2019 quando a Comissão Europeia demorou 11 meses a travar “importações asiáticas predatórias”. Por fim, a hipocrisia sanitária e a falta de segurança alimentar, em que os agricultores portugueses cumprem a estratégia “Do Prado ao Prato”, sendo um “atentado à Segurança Alimentar dos portugueses que o Parlamente Europeu autorize a entrada de alimentos que não cumprem os nossos padrões”.