Parecer negativo do ICNF ameaça investimento de 350 milhões do projeto CSF Alqueva, no concelho de Moura
Declaração de Impacte Ambiental desfavorável ao projeto CSF Alqueva coloca em risco criação de emprego e desenvolvimento económico no concelho de Moura. A decisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), emitida em janeiro de 2026 e baseada num parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), de atribuir uma Declaração de Impacte …
Declaração de Impacte Ambiental desfavorável ao projeto CSF Alqueva coloca em risco criação de emprego e desenvolvimento económico no concelho de Moura. A decisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), emitida em janeiro de 2026 e baseada num parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), de atribuir uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável ao projeto solar CSF Alqueva poderá comprometer um investimento estimado de 350 milhões de euros no Alentejo.
O projeto, que conta com o apoio do Município de Moura, integra duas componentes estruturantes para o território: um parque de produção de energia solar e um empreendimento turístico. A concretização da componente turística, avaliada em cerca de 50 milhões de euros, depende diretamente da instalação do parque solar, pelo que a decisão negativa poderá inviabilizar ambos os investimentos.
Segundo os promotores, já foi apresentada uma Reclamação Administrativa da DIA desfavorável, defendendo que a decisão ignora várias medidas de mitigação ambiental propostas ao longo do processo de licenciamento.
Preocupações ambientais centradas nos morcegos
O parecer negativo do ICNF baseia-se sobretudo na presença de uma colónia de morcegos localizada a cerca de 1,5 quilómetros do local do projeto e nos potenciais impactos associados à redução de 158 hectares de olival utilizado como uma das zonas de alimentação destas espécies.
Contudo, os promotores argumentam que o projeto prevê medidas de mitigação em 688 hectares na mesma área de influência — uma superfície quatro vezes superior à área de olival afetada. Essas medidas incorporam recomendações da associação CHIRO – Morcegos.pt e contam com validação científica de um parecer do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), da Universidade do Porto.
Contradição ambiental apontada pelos investidores
Os responsáveis pelo projeto consideram a decisão contraditória, uma vez que o proprietário do terreno possui autorização das entidades públicas para proceder ao abate de olival numa área total de 211,59 hectares, caso o projeto solar não avance.
Segundo defendem, nesse cenário a perda de habitat para os morcegos poderá ser ainda maior e ocorrer sem qualquer plano de mitigação, requalificação ecológica ou gestão de habitat como o previsto no projeto energético.
Processo com sete anos de desenvolvimento
O projeto está em desenvolvimento há sete anos e, ao longo desse período, passou por diferentes fases de avaliação por entidades públicas e privadas. De acordo com os promotores, o enquadramento no ordenamento territorial municipal foi validado sem objeções do ICNF relacionadas com valores de conservação da natureza, nomeadamente nas revisões de 2009 e 2024.
Em 2024, no âmbito do processo de avaliação ambiental conduzido pela APA, o projeto foi reformulado, reduzindo em 27% a área inicialmente prevista para ocupação, de forma a incorporar recomendações técnicas das autoridades ambientais.
Impacto económico relevante para o interior
Os investidores sublinham que o projeto poderá gerar centenas de postos de trabalho diretos e indiretos, dinamizar a economia local e criar uma nova âncora de desenvolvimento turístico no interior do país.
A proposta integra uma abordagem considerada inovadora de articulação entre produção de energia renovável e turismo, modelo que tem sido apoiado pelo Município de Moura pela sua capacidade de promover diversificação económica e desenvolvimento territorial.
Uma decisão com impacto estratégico
Para os promotores, a atual decisão levanta dúvidas sobre a capacidade de conciliar proteção ambiental com investimento e desenvolvimento regional, sobretudo em territórios do interior com necessidade de criação de emprego e atração de investimento.
A eventual revisão da decisão, permitindo uma DIA favorável condicionada à implementação das medidas de mitigação propostas, poderia — defendem — garantir simultaneamente a proteção da biodiversidade e a concretização de um investimento estruturante para o concelho de Moura.
Num contexto de transição energética e necessidade de reforço da coesão territorial, projetos desta natureza são apontados como oportunidades estratégicas para atrair investimento, fixar população e promover desenvolvimento sustentável no interior do país.