Padel – Uma modalidade em crescimento em Moura que alia desporto e convívio
Mais do que “uma moda”, que alia a componente física e social, o padel jogado com raquetes, disputado entre duas duplas e de regras simples, é uma das modalidades desportivas que mais tem crescido no nosso país. Dados recentes registam um aumento superior a 14% desde 2021 de atletas federados e mais de 16.000 licenças …
Mais do que “uma moda”, que alia a componente física e social, o padel jogado com raquetes, disputado entre duas duplas e de regras simples, é uma das modalidades desportivas que mais tem crescido no nosso país. Dados recentes registam um aumento superior a 14% desde 2021 de atletas federados e mais de 16.000 licenças concedidas desde 2025.
O concelho de Moura faz parte dessa amostra evolutiva de atletas e participantes, entre 50 a 60, números não oficiais, que desde maio de 2025 têm um espaço onde praticar este desporto em dois campos outdoor, inseridos no Clube de Ténis e Padel de Moura.
Com uma procura bastante grande não só pelos adeptos locais, mas também por quem visita a cidade, é um exemplo de um local agregador que permite o convívio entre equipas femininas, masculinas e mistas, sobretudo aos fins de semana.
“Acima de tudo é uma moda que se gerou e que vai ficar. Pode não ser com todos os participantes que hoje em dia jogam, já que se perdem uns por um lado, mas também se ganham por outro, mas acredito que vai manter sempre um número muito alto de atletas. É uma modalidade muito propícia a isso, é muito fácil de jogar e de evoluir, apesar de ser difícil uma evolução mais profissional a partir de um certo nível. Socialmente tem sempre muitos participantes”, palavras do mourense Bernardo Janeiro, um dos grandes impulsionadores deste desporto por cá.
No seu caso, a descoberta deu-se em 2010/2011 quando ainda estava em Lisboa, numa altura em que ainda pouco ou nada se falava sobre este desporto.
Fez parte dos rankings nacionais literalmente em par com outro amigo e colega de Moura de nome Francisco Serra, onde participaram em competições a sério até um nível praticamente profissional. Apesar de terem chegado longe, hoje reconhece que nenhum dos dois “tinha vida para ser atleta profissional, mas tentámos fazer sempre o nosso melhor”.
Quando olha para trás, recorda que o que ficou dessa fase, “foram muitos amigos com quem nos cruzámos, inclusive pessoas que foram nossos adversários e parceiros em torneios e ficaram muitas histórias. Os festejos que fazíamos depois de ganhar um torneio, onde íamos, com quem íamos, com os treinadores, com toda a gente do Clube de Padel de Alcântara. Era um ambiente muito bom e que reunia muita gente”, lembrou Bernardo Janeiro.
E é precisamente essa componente social, entre outros aspetos que atrai muita gente. “É um desporto que precisa sempre de quatro pessoas para jogar, só aí já está um número grande de pessoas em relação a outras modalidades individuais, como o ténis, mas a parte social também é um chamariz muito forte. As pessoas vão jogar e nunca acabam só por jogar, acabam sempre por conviver muito mais tempo além do que estão a jogar”, referiu.
Em Moura, o projeto começou a ser “desenhado” há quase sete anos.
“Iniciámos o projeto em 2019/2020, a estudar as várias hipóteses que tínhamos junto do Clube de Ténis de Moura. A partir daí começámos a tentar formar uma hipótese de investimento no clube e que felizmente hoje em dia está de pé”, precisou.

Treinador no Clube de Ténis e Padel de Moura, Bernardo Janeiro diz não ter ideia “dos números reais” de pessoas que praticam a modalidade neste espaço. Apesar disso, avançou com uma estimativa. “Comparando com o número de pessoas em torneios e reservas de campos, penso que deve rondar as 50 a 60 neste momento. Entre equipas femininas, masculinas e mistas, já que há muitas senhoras a procurar o padel e tanto os torneios masculinos como os femininos têm o mesmo número de inscrições e acabam por encher. Os últimos dois torneios feitos foram com 10 duplas femininas a um sábado e 10 duplas masculinas a um domingo. Acabámos por ter 20 senhoras e 20 senhores a jogar em dois dias diferentes”.
A procura da parte de atletas de fora também tem crescido. “Há muita procura de pessoas que vêm passar um fim de semana ou vêm de férias a Moura. O mesmo aconteceu na altura do Natal com as visitas à família em que aproveitaram para jogar”, contextualizou.
Mesmo em campos outdoor como é o caso de Moura e com alterações meteorológicas, tudo se adapta. “Desde que sou atleta e que jogo padel, tive muitos treinadores e um deles dizia sempre que o tempo, o clima e as condições de jogo, fazem parte do jogo e nós temos de nos adaptar a elas. Aqui temos dois campos ao ar livre que com chuva não nos permite jogar. O piso fica escorregadio, os vidros molhados; outras vezes temos humidade, é mais difícil jogar, outras vezes temos vento, também vai dificultar. São fatores que condicionam o jogo e nós temos de arranjar alternativas e combater essas adversidades. O desafio acaba por ser maior”.

Curioso para saber como se joga? “O padel é um desporto de raquetes, em duplas, é muito semelhante em algumas coisas ao ténis: na pontuação, na forma de jogar, no serviço, no quadrado do serviço. A diferença maior são as tabelas. Podemos jogar com os vidros e com o tempo tornam-se nossos amigos em vez de inimigos. É muito fácil, muito semelhante ao jogo de raquetes de praia e ao badminton”, explicou o treinador.
Quase em simultâneo, elucidou sobre a diferença entre padel e ténis. “O ténis é um desporto muito mais exigente na parte técnica e física, agora na parte tática, o padel é muito mais exigente. Estamos a falar de um campo que tem um terço do tamanho de um campo de ténis e que em vez de estarem duas pessoas, estão quatro. Portanto, o espaço vazio é muito mais pequeno. Então a parte tática é muito mais interessante. O jogador de padel tem de ter muita paciência, deve saber aproveitar as oportunidades e ter estratégia”.
“O melhor conselho que posso dar, é dizer para experimentarem porque de certeza que vão gostar. Acima de tudo, vão divertir-se, desfrutar ao máximo e aproveitar para conhecer outras pessoas que às vezes nem se cruzam no dia a dia e que depois de jogarem juntas, começam a lidar mais. Isso acontece aqui em Moura, pessoas que começam a ter uma ligação através deste desporto. É muito giro ver essa união entre todos dentro do clube”, concluiu Bernardo Janeiro.
Antelmo Serrado, um dos rostos da direção do Clube de Ténis e Padel de Moura, complementou a reportagem da Planície.
Sublinhou, tal como Bernardo Janeiro, que o projeto teve a sua origem no Clube de Ténis de Moura e a ideia foi a de “criar um espaço diferente, acolhedor, que fosse acessível para todos, de uma modalidade que estava praticamente na moda em todo o país. Temos sentido que tem crescido, que há muita adesão e que está no bom caminho. Estamos muito satisfeitos com o investimento que o clube fez nestes dois campos de padel”.
O projeto inaugurado em maio de 2025, custou perto de 70 mil euros e por ser um investimento recente, há que fazer contas. “Estamos numa fase muito inicial, com cerca de sete meses de padel em Moura e ainda é difícil fazer qualquer tipo de resumo (financeiro) destes meses. No entanto, a adesão tem sido muito boa, mais do que era esperado, estamos muito satisfeitos e a ideia é que esta adesão continue durante muito tempo porque o clube precisa mesmo”.
A expansão do negócio está prevista, mas para já Antelmo Serrado prefere ponderar todos os fatores. “Logicamente que a atual direção do Clube de Ténis e Padel de Moura tem uma perspetiva de crescimento de uma forma sustentada. Primeiro temos de “assentar os pés na terra” e tentar perceber como é o evoluir deste projeto. Além disso, temos também muitos projetos a decorrer que queremos implementar na área do ténis e depois de termos tudo isto cimentado, é partir para novas aventuras”.
A formação de novos atletas faz parte da estratégia da direção desde o início, como destacou o entrevistado. “Desde que foi lançada a primeira pedra dos campos de padel. É essencial e achamos que é uma das bases para poder ter um clube sólido e em crescimento. Sem formação é difícil criar atletas, jogadores e até rotinas de treino. A formação é importantíssima tanto no padel em que já temos dois treinadores a dar aulas, como no ténis, atualmente também com uma pessoa a tempo inteiro a dar aulas para adultos e crianças”.

Quase em simultâneo, o padel acabou por impulsionar o ténis em Moura e permitiu ter uma maior projeção e a conquista de novos jogadores. “Notámos uma adesão muito maior ao Ténis e neste momento sentimos que o clube tem vida e convida a mais participantes, mais atletas, mais gente a procurar. Com os campos abertos e com aulas, há muito mais procura”, segundo Antelmo Serrado.
A tática de jogo está planeada e durante este ano, esperam-se novidades no Clube de Ténis e Padel de Moura. “Queremos fazer pelo menos dois Open (torneios) grandes este ano de padel, em princípio um em junho e outro em setembro. Continuaremos também a dar vida aos nossos torneios sociais de 15 em 15 dias, desde masculinos, femininos e pares mistos e para este ano, temos também criado um conjunto de torneios de pais e filhos, já que queremos introduzir as crianças pouco a pouco no padel. Temos também um projeto para avançar com uma parceria com o desporto escolar. São muitas as ideias, são muitos os projetos e acreditamos que com o tempo vamos conseguir concretizá-los todos, garantiu Antelmo Serrado.