Natal 2025 – Os toques dos chocalhos regressam às ruas da aldeia de Safara
São muitas as diferentes tradições culturais vividas nas freguesias do concelho de Moura e cada uma tem o seu significado e identidade própria. Para celebrar a chegada do menino Jesus, na noite de 23 para 24 de dezembro os habitantes de Safara vão pelas ruas da aldeia e fazem anunciar a boa nova com o …
São muitas as diferentes tradições culturais vividas nas freguesias do concelho de Moura e cada uma tem o seu significado e identidade própria. Para celebrar a chegada do menino Jesus, na noite de 23 para 24 de dezembro os habitantes de Safara vão pelas ruas da aldeia e fazem anunciar a boa nova com o toque dos chocalhos, uma prática que remonta ao tempo dos pastores e que é contada pelo historiador Miguel Santiago, licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Terminou recentemente o Mestrado em História Contemporânea e vive em Safara.
“É uma tradição que já vem desde há vários anos, é passada de pais para filhos, já que na noite de 23 para 24 de dezembro, as pessoas de todas as idades convivem e juntam-se na aldeia para celebrar a chegada do Natal”.
Historicamente, este costume apenas foi interrompido na pandemia, explicou. “Durante os meus 23 anos de vida sei que só nessa altura é que não houve, mas do que sei e do que é contado pelos meus avós e pelos meus pais, sempre existiu. Por isso até aos dias de hoje tem-se cumprido”.
Simbolicamente, este estado de alma e de identidade católica já vem de longe, tal como situou o historiador. “Está ligado às tradições pastoris apesar de não o podermos afirmar totalmente, porque o chocalho remete para os animais e a população ao tocar o chocalho anuncia a chegada do Menino Jesus”.
A maior parte dos habitantes da aldeia tem um chocalho em casa que vai sendo passado “de geração em geração e quem não tem um, alguém empresta. É um momento não só de união, de convívio e de partilha que é a simbologia do Natal”, adiantou o historiador.
Todos os anos as ruas de Safara enchem-se do som típico dos chocalhos e ninguém deixa de participar. “Crianças, jovens e pessoas mais velhas”, referiu.
No entanto, o lado mais típico e adaptado aos tempos modernos divide as gerações nesta festa de família. Os habitantes entre os 20 e os 50 anos tocam os chocalhos à noite e como forma de agradecimento, a população oferece sempre um petisco como um enchido e uma bebida. Durante o dia, são as crianças que correm pela aldeia de chocalho na mão em troca de “uma moedinha”.
Além deste costume que se perpetua no tempo, a freguesia também tem o hábito de partilhar o lume comunitário no centro da aldeia que se acende na tarde de 24 de dezembro e dura a noite toda até ao dia 25.
O Cante ao Menino depois da Missa do Galo, é outro momento religioso que assinala a noite mais bonita do ano.
O ponto de encontro do toque dos chocalhos é na Casa do Povo de Safara, de 23 para 24 de dezembro, à meia-noite. E é ver a aldeia toda junta em nome de uma tradição que não se deixa esquecida.