Moura – O saudoso campo “Maria Vitória” é recordado hoje por Francisco Cravo
A primeira edição deste ano das “Ruas que falam” propõe uma viagem pelas origens do campo “Maria Vitória”, hoje, 28 de janeiro, e pelo papel que desempenhou na vida social e associativa de Moura, destacando a importância do desporto como espaço de convívio, identidade e pertença. Foi inaugurado por duas madrinhas, Maria Manuela Rego Chaves …
A primeira edição deste ano das “Ruas que falam” propõe uma viagem pelas origens do campo “Maria Vitória”, hoje, 28 de janeiro, e pelo papel que desempenhou na vida social e associativa de Moura, destacando a importância do desporto como espaço de convívio, identidade e pertença. Foi inaugurado por duas madrinhas, Maria Manuela Rego Chaves e Vitória Camacho Lúcio em 1926. Celebra precisamente este ano o seu 100º aniversário.
Esta edição terá como guias José Gonçalo Valente, arqueólogo da Câmara Municipal de Moura, e Francisco Cravo, figura incontornável do Moura Atlético Clube e da História do Campo Maria Vitória e com quem a Planície conversou.
Francisco José de Aragão Baixinho Cravo, advogado de profissão, está vinculado ao Moura Atlético Clube desde 1973/74. “Primeiro treinei uma equipa de iniciados, depois passei a ser jogador e até 1985/86 deixei o futebol, mas permaneci ligado ao clube como presidente da Assembleia Geral até agora”.
Elogia, por tudo isto, a atividade de hoje organizada pela Câmara Municipal de Moura. “É uma iniciativa louvável, que tem a ver com memórias e eu sou uma pessoa que me considero velho com 76 anos de idade e isso permite-me ter alguma história e memória. O rio do tempo vai apagando e deixa memórias imperecíveis, mas acontece que vão ficando algumas e é esse testemunho que eu posso evidenciar aqui”.

Francisco Cravo não esquece uma das evocações que como disse, sempre o “fascinou”.
Recordou a passagem do Campo Maria Vitória para o Complexo Desportivo do Moura Atlético Clube a 18 de novembro de 2006. “Simbolicamente, a bola de pedra foi um marco transportado para o atual complexo. É um símbolo extraordinário de um testemunho de o rolar de gerações na vida do Moura (MAC) e o símbolo do seu ideal. E sagrou-se em pedra, o que significa robustez, firmeza e tenacidade, transportando para a vida de cada um. É uma sentinela muda que ficou ali no espaço e no tempo”.
Também os tons do clube, têm um significado especial. “As cores são as da terra. O amarelo do trigo ligado ao pão e ao negro da fome. Curiosamente, o Moura Atlético Clube nasceu em plena 2ª Guerra Mundial (1939/45). Essa ideia ligada à miséria e à fome nesses tempos não pode ser esquecida e a bandeira do Moura, tal como da coletividade, a quem o Moura muito deve e ao próprio município, são cores que ficaram para sempre e hão de perdurar”.
É com esse sentimento que termina esta mensagem quase poética sobre uma marca histórica de grande importância para Moura. “Com os instrumentos do passado podem abrir-se as portas do futuro. Hoje temos este símbolo que está ligado ao Moura Atlético Clube de uma memória ligada ao companheirismo, à partilha, às emoções de quem tem aquele símbolo para defender de uma forma desinteressada, apenas com o ideal do desporto.” E continua: “As ruas falam e podem traduzir-se em pedras, sorrisos, alegrias e tristezas, mas têm no fundo cimento fundamental que pode unir os homens e é nessa união que o Moura Atlético Clube se fundou”, palavras de Francisco Cravo.
A sessão de hoje das “Ruas que Falam”, propõe um encontro às 18h00 na Câmara Municipal de Moura. O objetivo é o de divulgar as ruas de Moura, explicando e documentando a origem dos respetivos nomes, além das suas especificidades e curiosidades que irão enriquecer a cultura geral dos residentes nestes locais e dos participantes na atividade.