Moura – Mais de 1 milhão de euros para a reabilitação da Igreja do Carmo
A preocupação do Padre José Manuel Guerreiro, das Paróquias de Moura e Santo Amador, vai neste momento, além da recuperação da estrutura do telhado interior. É urgente uma reabilitação profunda que ascende, segundo o próprio, a 1 milhão de euros.
A 7ª edição da caminhada designada como "Passos com História", realiza-se esta quinta-feira, 17 de junho, com o ponto de encontro às 21h30, na Igreja de São João Batista, em Moura. Recorda os antigos lagares do azeite, em que existiam 27 em funcionamento, um “tour” guiado pelo historiador José Chaparro.
Mais do que um percurso que combina exercício físico ao ar livre, a exploração do património e as narrativas históricas locais, esta iniciativa tem uma finalidade muito particular: com a aquisição da t-shirt no Centro Paroquial de Moura (7.50 euros), a comunidade está a contribuir para as obras da Igreja de N.ª Sra. do Carmo, a santa padroeira da cidade de Moura e para a preservação do monumento erguido no início do século XVI, junto ao Convento do Carmo, em ruínas.
A preocupação do Padre José Manuel Guerreiro, das Paróquias de Moura e Santo Amador, vai neste momento, além da recuperação da estrutura do telhado interior. É urgente uma reabilitação profunda que ascende, segundo o próprio, a 1 milhão de euros.
“A Igreja do Convento do Carmo, em Moura, tem vindo a deteriorar-se, sofrendo infiltrações e problemas estruturais, principalmente no telhado interior e nas paredes, devido a infiltrações das águas pluviais provenientes de edifícios contíguos em ruínas”.
O responsável pelas paróquias explicou à Planície que a situação se agravou neste último inverno com inundações interiores e que a reparação necessária ultrapassa o milhão de euros, pelo que está a ser preparado um projeto para concorrer a fundos comunitários.
Atualmente, a paróquia reuniu cerca de 120 mil euros, valor considerado insuficiente face à dimensão da intervenção, que inclui a substituição do forro interior da igreja e a resolução das infiltrações originadas pelo estado degradado do antigo Convento do Carmo e de outras construções vizinhas.
“Graças a Deus não chove dentro da igreja, mas chove nas capelas laterais em virtude do terreno que está ao lado e em virtude do antigo hospital (Convento do Carmo) e chove principalmente na parte que não tem telhado que não nos compete a nós, que é do Estado. Quando chove, a água vai para a igreja por não ter telhado. Estamos de ‘pés e mãos atados’ porque não é propriamente uma obra que nos diga (respeito) somente a nós, mas há um edifício ao lado que está também a estragar-se, por assim dizer”.
José Manuel Guerreiro manifestou a esperança de que as promessas feitas sejam cumpridas e que, pelo menos no próximo inverno, a Câmara de Moura possa solucionar o problema do Convento do Carmo.
O responsável destacou que esta intervenção não lhe compete diretamente, uma vez que o edifício é propriedade do Estado.
O pároco salientou que a igreja mantém as celebrações normais, mas enfrenta problemas “como o cheiro a mofo e a queda de talhas douradas, que vão sendo remediados”.
Sem esquecer o contributo da caminhada “Passos com História”, apesar de considerar que “é apenas mais uma gota de água no oceano para juntar mais um pouco ao que já conseguimos”, o padre de Moura disse estar “muito satisfeitos com o que as pessoas têm partilhado connosco. Estamos na 7ª edição e há sete anos havia zero, não havia nada e neste momento, com as várias iniciativas já vamos nos 120 mil euros”.
Sobre o percurso, José Chaparro irá recordar os antigos lagares de azeite na cidade, muitos dos quais já desapareceram, “evidenciando a importância da produção de azeite até meados do século XX”.
O itinerário inclui locais no centro da cidade onde, no início do século XX, existiam cerca de 27 lagares em funcionamento, testemunho da relevância do azeite na região.
O historiador sublinhou a vertente solidária do encontro, com a venda de t-shirts para angariar fundos destinados à reparação da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e frisou igualmente “os danos graves sofridos no edifício no último inverno”
O professor e historiador apelou à participação dos mourenses, sublinhando que "o Carmo tem um peso absolutamente inestimável" para a comunidade e alertando para a necessidade urgente de intervenção para evitar “o encerramento da igreja durante futuros invernos rigorosos”.
José Chaparro reforçou que, devido à falta de colaboração oficial na manutenção do património, a contribuição cidadã é fundamental para preservar este símbolo histórico e cultural da cidade.
Os interessados poderão adquirir as t-shirts no centro paroquial e participar numa noite dedicada à história de Moura e ao seu património ligado ao azeite.