As equipas LIFE Aegypius Return que permitem consolidar e acelerar o regresso do abutre-preto (Aegypius monachus) a Portugal e ao oeste de Espanha, estiveram em junho na Herdade da Contenda, Santo Aleixo da Restauração, concelho de Moura, onde promoveram a marcação de três crias com emissor GPS/GSM, num total de cinco crias anilhadas nas colónias …

As equipas LIFE Aegypius Return que permitem consolidar e acelerar o regresso do abutre-preto (Aegypius monachus) a Portugal e ao oeste de Espanha, estiveram em junho na Herdade da Contenda, Santo Aleixo da Restauração, concelho de Moura, onde promoveram a marcação de três crias com emissor GPS/GSM, num total de cinco crias anilhadas nas colónias do Douro Internacional, da Herdade da Contenda e de Vidigueira/Portel. Para os técnicos presentes, monitorizar a reprodução da espécie e conhecer a idade das crias é sem dúvida essencial para o sucesso da espécie, apesar da sua exigência.

Este mês de julho, os trabalhos irão prosseguir nas mesmas colónias, e, ainda, no Tejo Internacional.
Os especialistas explicam que devido a limitações de orçamento e de acesso aos ninhos, “infelizmente, nem todas as crias podem ser marcadas” e reforçam que “todos os trabalhos de subida aos ninhos, recolha de amostras, anilhagem e marcação são realizados por um número muito reduzido de técnicos altamente especializados e credenciados pelas autoridades de conservação da natureza”.
O trabalho “complexo e exigente, que ocupa nove meses por ano”, tem um calendário definido explicado por quem sabe. “A construção do ninho e os acasalamentos começam aproximadamente em janeiro, e as crias só começam a voar aproximadamente em agosto ou setembro. Durante este longo período, e para se poderem calcular os parâmetros de reprodução – índices que permitem aferir o sucesso efectivo de cada época de reprodução – cada ninho é detalhadamente acompanhado”. Por outro lado, “os trabalhos seguem um protocolo que permite uma observação detalhada, mas que também garante a segurança das aves, evitando a sua perturbação”.

Em cada ano, as equipas de monitorização registam os comportamentos nupciais, a incubação e a eclosão das crias, e acompanham o seu desenvolvimento. O mês de abril marca as primeiras eclosões, e segue-se um período de “elevada sensibilidade, onde a perturbação do habitat ou um evento meteorológico mais adverso (como uma tempestade ou uma onda de calor) podem condicionar a sobrevivência dos pequenos abutres, totalmente dependentes dos pais”. Cada casal de abutres-pretos põe apenas um ovo por postura, o que aumenta a vulnerabilidade da espécie.
Em Portugal, conhecem-se actualmente cinco colónias reprodutoras de abutre-preto: Douro Internacional, Serra da Malcata, Tejo Internacional, Herdade da Contenda e Vidigueira/Portel. “Todas as colónias são detalhadamente monitorizadas no âmbito do projecto LIFE Aegypius Return”, detalham os técnicos.

Cerca de quatro décadas após a extinção da espécie em Portugal, em 2024, foram confirmados pelo menos 108 casais nidificantes, um resultado que trouxe muita esperança para a recuperação do abutre-preto no país.
Para as equipas, “estes resultados só são possíveis graças à colaboração entre um vasto número de pessoas e entidades comprometidas com a conservação da natureza e do abutre-preto”.
No que respeita à monitorização da reprodução do abutre-preto em Portugal, os parceiros LIFE Aegypius Return agradecem o apoio dos técnicos e vigilantes da natureza do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), da Rewilding Portugal e da Quercus.