O Monte D’Atalaya faz parte da história dos mourenses desde os anos 50, altura em que Lino Líder Delgado, advogado de profissão, saiu de Lisboa para se instalar em Moura onde comprou as primeiras vinhas do século XX. Assim nasceu o legado familiar que deu origem ao nome da propriedade.

O Monte D’Atalaya faz parte da história dos mourenses desde os anos 50, altura em que Lino Líder Delgado, advogado de profissão, saiu de Lisboa para se instalar em Moura onde comprou as primeiras vinhas do século XX. Assim nasceu o legado familiar que deu origem ao nome da propriedade.

Apesar da transformação e da evolução dos tempos, a génese desta herança soube manter-se nas gerações que se seguiram ao seu fundador sempre com a vertente vitivinícola, certamente um orgulho para quem no passado dirigiu estas terras às portas de Moura com cerca de 50 hectares. Nas castas de tinto contam-se Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Marselan, Castelão e Touriga Franca. Roupeiro, Antão Vaz, Arinto e Fernão Pires estão entre as castas de branco deste portfólio de produção.

O bisneto de Lino Delgado, Rodrigo Santos Lima, formado em Economia, é um dos gestores da propriedade e é nestas vinhas que se sente em casa quando recorda com saudade que desde os 9/10 anos participava nas vindimas.

Na entrevista à Planície, lembrou a relevância das suas raízes. “É muito importante para nós estarmos ligados à terra como o meu bisavô, a minha avó e a minha mãe estavam e estão. Estamos a mostrar o nosso legado familiar e conseguir demonstrar a Moura e a outros o que é o Monte D’Atalaya e o que são as vinhas do Dr. Lino”.

2023 foi um ano de viragem na reestruturação deste projeto. “Achámos que era a altura certa para dar o passo em frente e em vez de vender as uvas a granel, começámos a vinificar e a fazer o nosso vinho com as nossas melhores parcelas. Selecionámos 3,5 hectares das nossas vinhas e com a ajuda de várias pessoas colocámos as uvas numa adega e a partir daí, produzimos o vinho. Em setembro de 2025, engarrafámos e lançámos o nosso vinho tinto Monte D’Atalaya”.

A visão de futuro do gestor aliada à experiência dos avós e dos pais, criaram um produto diferenciador. “O mercado de vinho está muito saturado, mas tivemos a sorte e a oportunidade de olhar para ele e de fazer algo diferente para nos destacarmos e podermos comprar um bilhete na lotaria para chegarmos ao sucesso”.

A impor-se pelo nome e qualidade, a estratégia foi pensada. “O projeto foi o de produzir um vinho Alentejano mais elegante, suave, aberto, leve, descomplicado e fácil de beber. A nossa casta Touriga Nacional dá-lhe um toque de frescura e é uma ‘bomba’ de sabores”, explica orgulhoso Rodrigo Santos Lima, tendo em conta as temperaturas extremas da região.

“Todos sabemos que em Moura, o verão é forte e às 15h00 num dia de agosto, podemos chegar facilmente acima dos 40° e conseguir produzir um vinho fresco (tinto), neste clima, é complicado, mas engraçado de fazer”.

Apreciadores e entendidos na área reconheceram o Monte D’Atalaya Edição Limitada Colheita Selecionada IG Alentejo Tinto 2024 – MJ Delgado como um dos vencedores do prémio Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola 2025.

“Três meses depois de o projeto começar, fomos premiados e ficámos muito felizes. Ter uma instituição e um concurso do Crédito Agrícola com os escansões portugueses a dizer que o nosso vinho não é nada mau, para nós é muito positivo e moraliza-nos bastante”, assegurou Rodrigo Santos Lima.

A produção em números tem vindo a crescer como seria de esperar. Em 2024 foram produzidas 28 mil garrafas de tinto e a colheita de 2025, já está acima das 30 mil.

A marca acaba de lançar um vinho rosé com a produção de 6500 garrafas e a curto/médio prazo será a vez de colocar no mercado um vinho branco.