Ministro da Agricultura reúne com agricultores no Alentejo e deixa promessas de apoio ao setor
O Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, deslocou-se ao Alentejo nos dias 9 e 10 de abril para ouvir diretamente as principais preocupações dos agricultores da região, numa iniciativa que incluiu reuniões com a FAABA e a ACOS – Associação de Agricultores do Sul.
Na reunião realizada a 9 de abril com a FAABA, o presidente da federação, Rui Garrido, destacou como positiva a aproximação do ministro, sublinhando que aguardava há vários meses por uma resposta a um pedido de encontro.
Entre os principais temas abordados esteve a doença da Língua Azul, com os agricultores a valorizarem as referências a apoios e estratégias futuras. No entanto, manifestaram expectativa de que sejam também considerados os prejuízos registados em 2025, que ainda não tiveram resposta por parte do Governo.
Outro dos pontos centrais foi o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), com críticas aos atrasos nos pagamentos e à insuficiência das verbas atribuídas aos projetos aprovados. Os representantes agrícolas reforçaram ainda a necessidade de medidas que incentivem a renovação geracional e promovam a fixação de população no interior. Em resposta, o ministro deixou palavras de esperança e prometeu investimento nestas áreas.
Os agricultores alertaram igualmente para o aumento dos custos de produção, agravado pelo conflito com o Irão, nomeadamente no preço do gasóleo agrícola e dos fertilizantes. Também aqui foram sinalizadas possíveis medidas de reforço de apoios.
No dia 10 de abril, já em Évora, o ministro reuniu com a ACOS, onde a pecuária extensiva esteve no centro das discussões, com destaque para as doenças emergentes e o declínio do montado de sobro e azinho.
Durante o encontro, Rui Garrido voltou a sublinhar uma preocupação antiga do setor: a criação de pequenos regadios de apoio à pecuária extensiva, defendendo que esta medida deve ser integrada na estratégia “Água que Une” e concretizada com urgência.
“Os agricultores não podem estar à mercê de anos de seca sem soluções que salvaguardem a atividade agropecuária em zonas de extensivo, de sequeiro”, afirmou.
Apesar do tom encorajador do governante, os agricultores alentejanos alertam que as promessas devem traduzir-se rapidamente em medidas concretas que garantam o acompanhamento e desenvolvimento sustentável das atividades agrícola, pecuária e florestal no interior do país.