Mário Tomé lamenta não ser ouvido sobre nova localização do Campo de Tiro de Alcochete
A Câmara Municipal de Mértola informa e lamenta que, à data de hoje, continua sem receber qualquer novo esclarecimento ou informação adicional por parte do governo “relativamente à eventual instalação de um novo Campo de Tiro de instrução e treino militar no concelho de Mértola”, segundo avançou o presidente.Mário Tomé contextualizou em declarações à Planície …
A Câmara Municipal de Mértola informa e lamenta que, à data de hoje, continua sem receber qualquer novo esclarecimento ou informação adicional por parte do governo “relativamente à eventual instalação de um novo Campo de Tiro de instrução e treino militar no concelho de Mértola”, segundo avançou o presidente.
Mário Tomé contextualizou em declarações à Planície os passos do processo seguidos pela autarquia. “Tal como foi tornado público no esclarecimento enviado em 19 de fevereiro, este município encetou várias diligências junto de diversas entidades governamentais, tendo recebido apenas uma resposta do Gabinete do Ministro da Defesa Nacional com data de 18 de fevereiro, na qual se indica que ‘não existe, até ao momento, qualquer decisão tomada relativamente à localização desta infraestrutura e que, numa fase posterior, as autarquias abrangidas seriam contactadas’. Mértola continua a ser uma das possibilidades e ninguém nos informa”, lamentou.
No entanto, volvidos quase cinco meses, essa auscultação à autarquia de Mértola não aconteceu. “Este município reafirma a total ausência de envolvimento e desconhecimento sobre qualquer processo de decisão e reitera a sua preocupação com os impactos sociais, ambientais e económicos que um projecto desta natureza poderá representar para o território”.
O município expressou essa insatisfação relativamente ao “silêncio das entidades competentes” e considera “inaceitável que se continue a falar de uma possível deslocação do Campo de Tiro de Alcochete para o interior do Alentejo sem o mínimo de diálogo institucional com as autarquias e populações potencialmente afectadas”.
A Câmara Municipal de Mértola mantém a sua posição e continua frontalmente contra qualquer cenário que represente a transferência de actividades militares “com elevado impacto para uma área de reconhecido valor ambiental e cultural”.
Sobre a possibilidade de oposição a esta instalação, o responsável autárquico reafirmou a sua posição. “Essa é a grande questão e a grande mágoa. Como é que posso opor-me ou ser favorável se não conheço o que é que é. Estamos a falar da transferência de um espaço físico só para tiro, só para exercício militar pesado ou estamos a falar de toda uma infraestrutura que vem construir infraestrutura de apoio, vem transferir pessoas para Mértola, vem melhorar a rede viária? Do que é que estamos a falar?”.
Ressalva que “nas circunstâncias e com a informação que tem, não quero o campo de tiro, mas quero informação para poder envolver a comunidade e decidir em conformidade aquilo que é melhor para os interesses de Mértola”.
A autarquia sustenta que qualquer decisão sobre o território “deve ser precedida de um amplo debate público, envolvendo os municípios, a sociedade civil, as comunidades locais e as entidades ambientais e científicas. Só assim se poderá garantir que os princípios da sustentabilidade, da coesão territorial e do desenvolvimento equilibrado sejam respeitados”.
O presidente da Câmara Municipal de Mértola disse ainda estar “disponível para o diálogo e exigente na defesa dos interesses do concelho e da sua população”.