“Incêndios florestais não conhecem fronteiras” – Nova estratégia prevenção
Luís Loureiro de Amorim, Chefe de Missão Adjunto em representação da Comissão Europeia em Portugal, deu a conhecer a nova estratégia de prevenção, preparação, resposta e recuperação da Europa no que diz respeito aos incêndios florestais, um artigo de opinião partilhado através da equipa técnica do Europe Direct do Baixo Alentejo.
É certo que “os incêndios florestais estão a tornar-se maiores, mais frequentes e mais destrutivos”, daí a nessecidade de adoptar uma nova abordagem à prevenção e combate.
Em 2025, o continente europeu passou pela sua pior temporada de incêndios florestais, com mais de um milhão de hectares queimados. A situação deve-se segundo o Chefe de Missão Adjunto, entre outros pressupostos, “à intensificação dos fenómenos ligados às alterações climáticas. Restaurar a natureza é, por conseguinte, fundamental, uma vez que os ecossistemas saudáveis são mais resilientes aos incêndios florestais”.
Nas palavras da Comissária Europeia Jessica Roswall, responsável pelo meio ambiente, a resiliência hídrica e a economia circular competitiva: “A nossa resiliência económica está diretamente ligada à saúde dos nossos ecossistemas e vice-versa. Investindo na prevenção, na restauração da natureza e na criação de paisagens resistentes aos incêndios, podemos evitar prejuízos económicos no valor de milhares de milhões de euros.”
É por esta razão que a Comissão Europeia coloca uma forte ênfase na prevenção. Propõe assim reforçar o seu apoio a medidas de cariz ‘ecossistémico’ na prevenção de incêndios florestais. “O objetivo é construir paisagens resistentes aos incêndios e atenuar o risco e o impacto dos incêndios florestais através da proteção e da restauração da natureza”.
De que maneira se pretende alcançar este objetivo? “Por um lado, a Comissão Europeia adotou um documento de orientação sobre a rede Natura 2000 e as alterações climáticas, que presta aconselhamento aos Estados-Membros para uma abordagem estruturada da adaptação às alterações climáticas nos sítios Natura 2000”.
Por outro lado, “as orientações também mostram como promover um planeamento paisagístico resiliente e contêm medidas para reduzir o risco de incêndios florestais, em harmonia com os objetivos de conservação dos habitats naturais”.
A Comissão Europeia pretende igualmente sensibilizar os europeus para este fenómeno e envolvê-los no esforço de preparação para lidar com os incêndios florestais. Entre as medidas propostas conta-se a organização de um painel de cidadãos europeus dedicado a dialogar sobre este tema.
Trata-se de uma questão pan-europeia, como afirmou a Comissária Hadja Lahbib: “Os incêndios florestais não conhecem fronteiras e a nossa resposta também tem de ir além-fronteiras. As medidas hoje adotadas demonstram o empenho inabalável da União Europeia em manter-se unida face às crises provocadas pelas alterações climáticas.”
Concretamente, a Comissão Europeia continuará a pré-posicionar bombeiros em zonas de risco e a promover o intercâmbio de peritos europeus em combate a incêndios. O intercâmbio de experiências e uma maior cooperação serão também promovidos com regiões propensas a incêndios florestais em todo o mundo. Os Estados-Membros e as partes interessadas serão informados das oportunidades de financiamento específicas. A Comissão Europeia continuará a desenvolver o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, apoiado pelo satélite Copernicus.
Além disso, a frota de combate a incêndios do rescEU será alargada com a aquisição de 12 aviões de combate a incêndios, bem como de cinco helicópteros. O primeiro helicóptero da frota rescEU, entregue à Roménia em janeiro deste ano, estará pronto para a época de incêndios florestais de 2026.
A Comissão Europeia está também a trabalhar na criação de uma plataforma europeia de combate a incêndios em Chipre, que funcionará como um centro regional de formação, exercícios e preparação sazonal. Terá um duplo papel: operacional, de resposta a emergências provocadas por incêndios florestais e de reforço das capacidades.
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Roxana Mînzatu, resumiu a nova estratégia em poucas palavras: “A estratégia agora adotada mostra que a prevenção, a preparação e a solidariedade devem andar de mãos dadas se quisermos salvar vidas e reforçar a resiliência da Europa contra o agravamento das ameaças de incêndios florestais.”
A Comissão Europeia apresentará ainda uma proposta para uma Recomendação do Conselho da União Europeia sobre a gestão integrada dos riscos de incêndios florestais, a fim de consolidar todos estes esforços coletivos.