Há um negócio de sucesso na vila de Amareleja – Os pistácios da Mareleju criado por dois alentejanos
Na terra mais quente de Portugal, a Amareleja, no concelho de Moura, detentora de um “recorde absoluto” de temperatura máxima registada em Portugal, atingindo em agosto de 2003, 47,3°C e no inverno, temperaturas frias, há um negócio que vinga perante estes fatores climáticos adversos: a plantação de Pistácios.Salete Felício e Pedro Dias, alentejanos de gema, …
Na terra mais quente de Portugal, a Amareleja, no concelho de Moura, detentora de um “recorde absoluto” de temperatura máxima registada em Portugal, atingindo em agosto de 2003, 47,3°C e no inverno, temperaturas frias, há um negócio que vinga perante estes fatores climáticos adversos: a plantação de Pistácios.
Salete Felício e Pedro Dias, alentejanos de gema, respetivamente de Amareleja e de Mourão, arriscaram e fundaram a empresa Mareleju – Pistácios d’Amareleja quando decidiram mudar-se definitivamente para a terra do sol. Começam agora a colher os frutos desse trabalho, ainda que a seu tempo, com a calma característica do Alentejo.

Uma árvore que requer essencialmente “rega de manutenção e que pode perfeitamente estar em regime de sequeiro. Adapta-se bem ao nosso clima, uma vez que gosta de extremos, muitas horas de frio no inverno (estamos a falar de um mínimo de 700 horas de frio) e muito calor no verão. Requer também baixa humidade relativa. É uma árvore perfeita para a Amareleja”, contam os empreendedores.
A ideia surgiu de um sonho antigo de Pedro Dias de ter um “negócio próprio” e que começou a fazer sentido ser partilhado em família. A finalidade seria conjugar “tempo, qualidade de vida e alguma rentabilidade”, contou a proprietária na entrevista concedida à Planície. Mas não só. O casal procurava “algo diferenciador na região” e conseguiu. “O projeto sediado no sítio das Amarelas (como também era designada a Amareleja) nasceu e cresceu praticamente ao mesmo tempo que as nossas filhas, Maria Rita e Julieta, e daí o nome: Mareleju - Pistácios d’Amareleja. Comprámos o terreno há cerca de 9 anos e a pouco e pouco fomos construindo o projeto: as primeiras árvores, equipamentos, a marca, o logotipo”.

E, nem o facto de profissionalmente desempenharem funções em áreas distintas, que nada tem que ver com agricultura, foi impedimento. Salete é professora de Artes Visuais na Escola Secundária de Moura e Pedro é da área de Gestão e de Turismo, tendo trabalhado em vários grupos hoteleiros e ocupado o cargo de vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
Foi por isso necessário adquirirem formação na área agrícola. “Foi um desafio acrescentado! Ainda mais, porque fazemos questão que seja um produto biológico em consonância com a natureza e devidamente certificado por uma empresa externa. Procurámos informação e formação nesta área, nomeadamente no Centro de Investigação Agroambiental em Cidade Real - El Chaparrillo. Estamos em contacto com outros produtores e vamos frequentemente a Espanha fazer cursos e seminários ligados ao pistácio”, acrescentou a empresária.

Tempo, paciência e sorte, requisitos essenciais a ter em conta para quem investe em agricultura biológica. Pedro Dias explicou que o pistácio demora perto de 6 a 7 anos a dar os seus frutos, ou seja, a entrar em produção. “Primeiro temos de fazer o investimento a longo prazo sem retorno. Só estamos agora a começar a entrar em produção e a nossa como é biológica demora um bocadinho mais, por isso, temos agora as primeiras colheitas”.
A cultura do pistácio é dispendiosa, por isso o casal optou por plantar os hectares aos poucos até chegar ao número que tem hoje: 14,5 hectares de pistácio das variedades Lanarka mais industrial para ser usada por exemplo na confeção de gelados e a outra, de nome Sirora, com um fruto maior a servir de snack.

A produção plena resulta entre 1500 a 2000 quilos de pistácio por hectare e como a quantidade ainda é pequena, os ainda pequenos empreendedores vendem-na de forma direta ao cliente.
O negócio é mesmo familiar. Salete Felício e Pedro Dias criaram os pacotes simples e apelativos para venda ao cliente e são eles que fazem todo o processo, desde a secagem, à torra e à salga. O objetivo é mais para frente quando a produção aumentar, investir numa linha de montagem e vender à cooperativa espanhola fundada por ambos onde são os sócios número 12.

A aposta neste negócio de alguma forma inovador, é uma forma de combater o despovoamento e criar emprego no concelho de Moura. “Claro que sim! Somos os dois alentejanos convictos. Gostamos de aqui viver, persistimos tal como tantas outras pessoas. Acreditamos que a nossa terra e em particular o concelho de Moura tem imensas potencialidades. Temos qualidade de vida, tranquilidade. Mas, é preciso criar atrativos para que mais pessoas se juntem, precisamos das nossas aldeias e vilas com mais pessoas, com mais crianças. Podermos criar o próprio emprego é uma forma de o fazer e de combater o despovoamento. Pensamos que o caminho tem de ser esse: criar e desenvolver produtos que nos distingam, que sejam inovadores e que possam ser a marca de uma região”, reafirmam os empreendedores.
Para ouvir a entrevista hoje em Rádio Planície, disponível em planície.pt