Filme sobre memórias do Alentejo estreia em Portugal após reconhecimento internacional
Primeira longa-metragem, Fogo do Vento, de Marta Mateus retrata memórias do Alentejo, num retrato íntimo da nossa história coletiva, com atores não profissionais e já venceu prémios em vários festivais.
Fogo do Vento, a primeira longa-metragem da realizadora Marta Mateus, estreia-se nos cinemas portugueses a 21 de maio, depois de ter sido aclamada internacionalmente e destacada pela revista The New Yorker como um dos 20 melhores filmes de 2025.
O filme, que estreou mundialmente no Festival de Locarno, passou ainda por eventos em Londres, Tóquio, Viena, Hamburgo, Valdivia e Jeonju, e conta com um elenco maioritariamente composto por atores não profissionais residentes no concelho de Estremoz, no Alentejo, região onde a realizadora cresceu.
Inspirado nas vivências e memórias do Alentejo, Fogo do Vento retrata a jornada da vindima através de uma narrativa coral. A história parte do acidente de uma jovem que se corta e vê o seu sangue misturar-se com o vinho, levando os trabalhadores a refugiar-se nas copas dos sobreiros para escapar a um touro negro. Nesse abrigo, partilham-se histórias que cruzam a Primeira Grande Guerra, a ditadura, a guerra colonial e o presente, evidenciando temas como a partilha, o sentimento de pertença e a solidariedade.
Antes da estreia em Portugal, o filme teve lançamento comercial nos Estados Unidos, Argentina e Uruguai, estando prevista uma circulação na Coreia do Sul durante o verão. Fogo do Vento foi ainda exibido em universidades como Harvard, Brown, Yale, Princeton, Chicago, Stanford e Berkeley, onde Marta Mateus também foi convidada a programar e a lecionar.
O filme conquistou vários prémios internacionais, entre os quais o Prémio FIPRESCI no Festival de Gijón (Espanha), Melhor Primeiro Filme no Festival de Busto Arsizio (Itália), Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas (Grécia), Melhor Realização no Festival Caminhos do Cinema Português (Portugal) e o Grand Jury Prize no Most – Festival Internacional de Cinema del Vi.
Produzido pela Clarão Companhia, fundada por Marta Mateus e Pedro Costa, em coprodução com a Casa Azul Films e Les Films d’Ici, o filme resultou de um processo de rodagem de quatro anos. Marta Mateus assumiu ainda o argumento, realização, direção de fotografia, partilhada com Vítor Carvalho, e a montagem de imagem com Claire Atherton, captando a luz e a essência do território alentejano.