Federação Nacional de Regantes de Portugal alerta para o investimento urgente no regadio
A Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG) alertou durante o debate “Investimento em Regadio: o que há de novo?”, na AGROGLOBAL, que Portugal poderá perder 5,4 mil milhões de euros em valor económico se adiar em 10 anos a expansão de 120 mil hectares de regadio prevista na Estratégia “Água que Une”. Um montante …
A Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG) alertou durante o debate “Investimento em Regadio: o que há de novo?”, na AGROGLOBAL, que Portugal poderá perder 5,4 mil milhões de euros em valor económico se adiar em 10 anos a expansão de 120 mil hectares de regadio prevista na Estratégia “Água que Une”. Um montante que corresponde ao investimento total programado até 2030 neste documento. Destaque também para as 300 medidas inscritas na Estratégia - entre as quais a reabilitação de infraestruturas, a construção de novas barragens, interligações e modernização dos sistemas de rega, mas que não contemplam cerca de 60 medidas fundamentais para o regadio, sendo que 49 delas totalizam um valor que ultrapassa os 477 milhões de euros. A maioria destes projectos está pronta para avançar, com estudos feitos e financiados pelo Programa de Desenvolvimento Rural (PDR2020), mas continua sem perspectiva de execução e não foi incluída no documento divulgado para consulta.
O presidente da FENAREG, José Núncio, sublinhou nas suas intervenções ao longo do debate, que a estratégia “Água que Une” é essencial para garantir a segurança hídrica, a competitividade agrícola e a coesão territorial do país, defendendo que a questão central não deve ser “quanto custa fazer, mas quanto custa não fazer”.
Neste contexto, alertou para que “cada ano de atraso representa perdas significativas para a economia e para o futuro da agricultura portuguesa, que poderão colocar em risco 5,4 mil milhões de euros, um valor semelhante ao que a Estratégia prevê de investimento até 2030 para assegurar a gestão sustentável e integrada dos recursos hídricos em Portugal, de modo a garantir a segurança hídrica e a resiliência face às alterações climáticas, como a seca e as cheias”.
O presidente da Federação apelou a que seja feito um reforço imediato do PEPAC - que na rubrica do regadio apenas tem reservados 150 milhões de euros, dos quais 65 milhões já estão comprometidos com projectos transitados do PDR2020; e defendeu a execução imediata das obras, com uma definição clara das fontes de financiamento.
Referiu igualmente que se deverá ter em conta a mobilização ao Fundo Ambiental, conjugando-o com os fundos do Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Banco Central Europeu (BCE) e de parcerias privadas “numa abordagem holística” que garanta a totalidade do investimento que é necessário efectuar e que vem sendo proposta pela Federação há vários anos.
O responsável sublinhou que é preciso criar-se com urgência uma estrutura autónoma dedicada à implementação da estratégia Água que Une, com um calendário concreto e metas claras, como forma de evitar a dispersão, os atrasos e a ineficácia na execução. “A estratégia portuguesa está alinhada com a Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica, que prevê 15 mil milhões de euros de financiamento do BEI (2025-2027) e metas de eficiência hídrica ambiciosas até 2030.”
Para o presidente da FENAREG, vive-se um momento decisivo, tanto em Portugal como na Europa e as alterações climáticas e as crises geopolíticas e militares à escala mundial tornam-no “ainda mais pertinente no contexto do regadio”, porque, “sem água não há agricultura. Por isso, investir em regadio é investir na resiliência económica, ambiental e social do país. O futuro da agricultura portuguesa e a resiliência económica nacional dependem da capacidade de transformarmos a água em competitividade, emprego e segurança alimentar. Também por isso, a urgência de passarmos à execução da estratégia, até porque o futuro da PAC é incerto. Cada ano de atraso representa perdas irreparáveis para a agricultura e para a economia nacional”.