Estudo aponta as principais mudanças na agricultura nos últimos 30 anos
Em 2023, a agricultura em Portugal produziu um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 3.362 milhões de euros, empregando 211,5 mil trabalhadores, indica a análise da consultora CONSULAI apoiada no Instituto Nacional de Estatística através do estudo sobre a “Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal”.
Apesar da redução dos trabalhadores em 30 anos — de 340 mil para cerca de 220 mil a tempo inteiro — a produtividade mais que duplicou, devido à mecanização, modernização e reorganização das explorações. O emprego estabilizou entre 165 mil e 180 mil, com o trabalho assalariado a corresponder a 40% do total e a mão de obra estrangeira a ultrapassar 40%, quadruplicando desde 2014.
Os trabalhadores portugueses refletem 81,5% com ensino básico, enquanto os estrangeiros apresentam maior qualificação, com 7,5% com curso superior. O salário médio agrícola cresceu cerca de 50% na última década, rondando os 1.000 euros, ainda abaixo da média nacional de 1.742 euros. O sector enfrenta envelhecimento acentuado: a idade média subiu de 46 para 59 anos e a mão de obra familiar caiu mais de 60%.
O Alentejo representa 54,7% da área agrícola, com apenas 11,3% da mão de obra, refletindo um modelo mecanizado, ao contrário do Algarve e Oeste, onde a produtividade excede 5.200 euros por hectare. Embora os acidentes laborais tenham diminuído 20% entre 2014 e 2023, a taxa de mortalidade permanece elevada.
“Lançámos este estudo da nossa equipa de research a propósito da celebração que temos este ano dos nossos 25 anos. Quisemos começar pelo tema do trabalho porque quem anda no setor agrícola sente isso todos os dias, que há uma mudança profunda na forma como tem evoluído o trabalho no setor”, salientou Pedro Santos, Diretor Geral da CONSULAI.
Os números mostram essa transformação como foi descrito acima, onde é observado uma mudança estrutural no trabalho nos últimos 30 anos. “Passa-se de um modelo de agricultura familiar para um modelo muito mais empresarial, muito mais profissional”, sublinhou o administrador, sendo esta uma das conclusões do estudo sobre a “Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal”.