Na passada semana tal como noticiámos, a Portugal Nuts – Associação de Promoção de Frutos Secos e a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal receberam a garantia do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, de que não estava previsto um aumento de preço da água de Alqueva para as culturas …

Na passada semana tal como noticiámos, a Portugal Nuts – Associação de Promoção de Frutos Secos e a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal receberam a garantia do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, de que não estava previsto um aumento de preço da água de Alqueva para as culturas permanentes.

Gonçalo Moreira, gestor do PSAA – Programa de Sustentabilidade do Azeite do Alentejo na Olivum, pronunciou-se sobre o assunto com a Planície e voltou a destacar a posição da associação nesta matéria não “achando justo” a postura de José Pedro Salema, presidente do Conselho.

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Acentuou, no entanto, que a Olivum está disponível para “trabalhar junto da EDIA” para que os custos desta “tenham viabilidade”, mas ressalvou que a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva já conseguiu “devolver ao Estado todo o valor por ele investido, inclusive que há valor positivo e que está assente nas culturas permanentes (olival e amendoal) que muito têm contribuído para o desenvolvimento da região”.

Na mesma ocasião, o Engenheiro Agrónomo posicionou-se sobre o que representa o sector do azeite para a região e a nível nacional em matéria de sustentabilidade. Recordou que esta questão está assente em três ramos essenciais: sustentabilidade ambiental, económica e social.

“É um sector que tem tido um crescimento exponencial na produção. Em 20 anos crescemos 320% em termos de produção nacional de azeite. Claro que está muito assente no que são os olivais mais modernos”, mas não poupou elogios aos produtores. “Os nossos associados têm vindo a fazer um trabalho muito grande para garantir a sustentabilidade das suas explorações e na forma como o azeite é produzido”.

Mesmo com uma grande área de olival moderno, a associação é considerada um “estudo caso” em termos mundiais. “Temos o mundo inteiro que vem cá para visitar e ver como é que nós produzimos e gerimos este tipo de olivais. Áreas não plantadas, galerias ripícolas, manutenção de biodiversidade e tentar garantir os serviços de ecossistema que estão presentes dentro deste tipo de olivais”, afirmou Gonçalo Moreira.

Como resultado, “o sector passou de um consumo de 15% de fitofármacos para 8%, exactamente pela incorporação cada vez mais de serviços de ecossistema dentro de estes olivais mais modernos”, explicou.

Sublinhou que este domínio, “agrega uma grande quantidade de mão de obra principalmente mão de obra especializada, como uma faixa etária de menos de metade daquilo que é a média nacional em termos de agricultura” e que todos os anos “se reinventa para se tornar cada vez mais sustentável com a incorporação de energias renováveis para as suas bombagens”, tendo ainda uma grande “preocupação social”.

Em termos económicos, o gestor avançou que este sector é “perfeitamente sustentável”. E justificou: “o ano passado fomos o sector principal, número 1 na contribuição para a balança comercial portuguesa para as exportações nacionais e nesse aspecto, a sustentabilidade está perfeitamente assegurada e não fica por aqui. Nós queremos tornar-nos cada vez mais sustentáveis”.

A Olivum - Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal tem neste momento uma certificação a correr que é o Programa de Sustentabilidade do Azeite, “uma certificação nacional e que pretende reconhecer as boas práticas”, mas para Gonçalo Moreira é “muito mais do que isso” porque “pretende também promover as boas práticas de sustentabilidade na gestão do olival, na extracção e na produção do azeite, na gestão dos subprodutos e na incorporação de energias. Queremos diferenciar o nosso produto através de um selo que constará nas garrafas e que irá acompanhar a azeitona que é produzida no campo ou o azeite que sai dos nossos lagares, garantindo ao mercado, aos produtores e consumidores que estão preocupados com estas questões, que o nosso azeite em Portugal é produzido de uma forma sustentável”.

O gestor do Programa de Sustentabilidade do Azeite do Alentejo finalizou a conversa ao referir que a Olivum “está a fazer esforços no sentido de encontrar soluções para trazer uma maior sustentabilidade para os olivais mais tradicionais”.