Desigualdade regional – Alentejo é o mais afetado pela falta de literacia financeira
De acordo com o European Consumer Payment Report 2025 (ECPR2025), o estudo anual realizado pela Intrum que analisa a saúde financeira dos consumidores, apenas 10% afirmam ter tido uma boa educação financeira na escola (média europeia de 20%). Os dados referentes a Portugal mostram que a ausência de educação financeira durante a infância está na …
De acordo com o European Consumer Payment Report 2025 (ECPR2025), o estudo anual realizado pela Intrum que analisa a saúde financeira dos consumidores, apenas 10% afirmam ter tido uma boa educação financeira na escola (média europeia de 20%). Os dados referentes a Portugal mostram que a ausência de educação financeira durante a infância está na origem de muitos dos comportamentos que, mais tarde, conduzem à fragilidade económica, ao sobre-endividamento e à incapacidade de poupança.
O estudo revela que os comportamentos financeiros dos adultos portugueses estão profundamente marcados pelo ambiente em que cresceram. De acordo com o ECPR 2025, apenas metade (51%) recebeu dos pais noções básicas de gestão do dinheiro e menos de um terço (29%) referiu sentir abertura para discutir finanças (média europeia de 46% e 35%, respetivamente). Por outro lado, 25% dos consumidores que responderam ao estudo recordam o dinheiro como uma fonte frequente de tensão familiar (em linha com a média europeia 26%). “A conjugação destes fatores ajuda a explicar porque é que tantos consumidores hoje enfrentam dificuldades para gerir o seu orçamento, pagar as suas contas ou planear o futuro”, revela a Intrum.
A análise regional reforça a gravidade do problema. No Alentejo, apenas 26% dos inquiridos dizem ter aprendido com os pais a gerir dinheiro, e mais de metade (51%) cresceram num ambiente de stress financeiro. Em regiões como a Madeira, Açores e o Algarve, a percentagem de quem recebeu formação na escola não ultrapassa os 11% e 13%, respetivamente. A Área Metropolitana de Lisboa, embora com indicadores mais equilibrados, mostra também sinais de carência: só 11% tiveram educação formal em finanças e 22% cresceram com tensão familiar associada ao dinheiro.
Apesar do cenário global ser preocupante, algumas regiões apresentam indicadores mais positivos. No Norte e no Centro do país, a maioria dos consumidores afirma ter recebido alguma orientação familiar sobre gestão do dinheiro, 55% e 59%, respetivamente, acima da média nacional (51%). Estas duas regiões são também aquelas onde os níveis de stress financeiro na infância são mais baixos (23% no Norte e 22% no Centro), e onde a discussão sobre dinheiro em contexto familiar era mais comum. Ainda assim, mesmo nas regiões Norte e Centro, apenas 9% dos consumidores referem ter tido educação financeira na escola, o que mostra que a omissão do sistema de ensino é transversal e não compensada pelo contexto familiar, mesmo nos casos em que este é mais favorável.