A campanha de azeitona 2025/2026 da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB) que começou no dia 20 de outubro do ano passado, encerrou a 5 de março deste ano, com 59.500 toneladas de azeitona recebida, entregue pelos 1200 associados da secção de olivicultura.Declarações à Planície de José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos...

Apesar de ter sido uma colheita atribulada devido à instabilidade do tempo, ficou “acima das expectativas iniciais e foi a segunda maior campanha de sempre”, segundo avançou à Planície o presidente da maior cooperativa de olivicultores do país.

Estes números não superaram a campanha de 2022 em que se verificou uma produção de 62.000 toneladas de azeitona que permitiram produzir 10.500 toneladas de azeite.

No entanto, este ano, as entregas de azeitona também surpreenderam pela positiva. “Tivemos um recorde diário de entregas de azeitonas por parte dos nossos associados de 1.650 toneladas por dia”, assegurou José Duarte. O resultado é uma produção estimada de cerca de 9 mil toneladas de azeite. 

As depressões que assolaram o território em especial a partir de janeiro, obrigaram a paragens forçadas e a adiar a apanha de azeitona.

“Foi uma campanha longa que só terminou a 5 de março devido às chuvas constantes. Os agricultores tiveram de parar a colheita por diversas vezes, principalmente a partir da 2ª quinzena de janeiro para a frente porque os solos já se encontravam muito saturados da chuva. Nessa altura, houve necessidade de parar durante alguns dias principalmente os olivicultores do olival tradicional e de reentrarem só quando existissem condições para a colheita. Por isso é que a campanha demorou muito”, referiu.

A falta de recursos humanos também se refletiu no tempo previsto da recolha de azeitona da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos. “Houve falta de mão de obra, nomeadamente nos olivais tradicionais e houve agricultores a começar mais tarde porque não conseguiram arranjar equipas para iniciar a colheita de azeitona mais cedo”.

Mesmo com os avanços e recuos inesperados, José Duarte garantiu que a campanha 2025/2026 “decorreu dentro da normalidade, com o pico (a ser registado) entre 15 de novembro e meados de dezembro” e ressalvou os investimentos realizados o ano passado na cooperativa. “Contribuíram para aumentar não só a capacidade de receção de azeitona, mas também de transformação dessa azeitona em azeite e permitiu aos agricultores, entre a colheita da azeitona e a transformação em azeite que o tempo fosse mais reduzido. Tudo isso também se refletiu na melhoria da qualidade dos nossos azeites com uma qualidade extraordinária”.

Desde o início do processo que o empresário agrícola apelou a um reforço da segurança nos olivais da região, assim como nos pontos de entrega de azeitona para evitar os roubos. A reivindicação resultou. “Podemos dizer que foi uma campanha segura. Houve um ou outro episódio de furto de azeitona, mas foi mais segura do que a de há dois anos”.

Recorde-se que na altura no distrito de Beja, Moura foi um dos concelhos com maior número de ocorrências de furtos, situação que este ano não se verificou.


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