Volvidos seis anos desde que foi apresentado o processo-crime contra a empresa AZPO – Azeites de Portugal em Ferreira do Alentejo devido a questões ambientais, processo esse movido pela Associação Ambiental Amigos das Fortes (AAAF), Fátima Moura, porta-voz da associação, informou que o mesmo “foi recentemente arquivado pelo Ministério Público por falta de indícios considerados …

Volvidos seis anos desde que foi apresentado o processo-crime contra a empresa AZPO – Azeites de Portugal em Ferreira do Alentejo devido a questões ambientais, processo esse movido pela Associação Ambiental Amigos das Fortes (AAAF), Fátima Moura, porta-voz da associação, informou que o mesmo “foi recentemente arquivado pelo Ministério Público por falta de indícios considerados suficientes para avançar para julgamento”. Contudo, apesar do arquivamento do processo, a poluição provocada pela queima de bagaço de azeitona mantém-se. “A população das Fortes continua diariamente exposta a episódios de poluição atmosférica de grande intensidade, cuja presença tem sido amplamente registada ao longo dos anos através de vídeos, fotografias e testemunhos de moradores”, descreve a responsável da organização e conta que nos últimos tempos a situação piorou.

“Nos últimos meses, após a instalação de uma nova chaminé de baixa altura, verificou-se novamente a libertação de emissões poluentes com impacto direto sobre a aldeia. Em setembro, a Associação comunicou esta situação à Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, que respondeu afirmando que o controlo ambiental das emissões não é da sua competência, tendo encaminhado a reclamação para a CCDR Alentejo. Na prática, isto deixa a população sem qualquer entidade que assuma responsabilidade direta pela sua proteção”.

Sem saberem a quem recorrer, Fátima Moura garante que a comunidade das Fortes “sente-se desprotegida e abandonada, entre instituições que transferem responsabilidades e anos de denúncias sem resultados”. Uma luta que considera “desigual” já que o setor industrial em causa possui uma expressão económica significativa na região, o que, na perceção da população, contribui para um sentimento generalizado de impotência e abandono”.
A associação recorda que, desde 2018, os moradores reportaram centenas de ocorrências, incluindo mau cheiro persistente, partículas visíveis no ar, dificuldade respiratória e deposição constante de resíduos sobre habitações e exteriores.

“Apesar das queixas e dos alertas dirigidos às entidades competentes, a situação mantém-se. A comunidade das Fortes considera que o arquivamento deste processo representa mais um episódio em que a voz dos moradores não encontrou correspondência nas instâncias oficiais. A associação sublinha que continuam a verificar-se impactos ambientais e de saúde pública que carecem de resposta efetiva e urgente”.