O relatório da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre migração em 2024 em Portugal, revela que nestes quatro anos houve um “aumento significativo da população estrangeira residente, impulsionado principalmente por necessidades de mão de obra”.O ano passado Portugal acolhia mais de 1,5 milhões de estrangeiros sendo que o fluxo migratório contribuiu …

O relatório da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre migração em 2024 em Portugal, revela que nestes quatro anos houve um “aumento significativo da população estrangeira residente, impulsionado principalmente por necessidades de mão de obra”.
O ano passado Portugal acolhia mais de 1,5 milhões de estrangeiros sendo que o fluxo migratório contribuiu com um “impacto positivo na força de trabalho do país” e também para a “diminuição da população portuguesa”, de acordo com a AIMA - Agência para a Integração, Migrações e Asilo.
A análise demonstra que a mão de obra no nosso país aumentou 0,8% entre imigrantes e desceu 0,1% entre portugueses e que ao longo destes anos a população activa subiu 0,7% em Portugal graças aos imigrantes.

Alberto Matos dirigente da Solidariedade Imigrante – Associação de Defesa dos Direitos dos Imigrantes, comentou à Planície os dados agora publicados nomeadamente nos sectores mais prementes do Baixo Alentejo: a agricultura, o turismo e a construção civil.
Na opinião da SOLIM, os números da mão de obra imigrante e os imigrantes enquanto pessoas “são indispensáveis aos sectores fundamentais da economia da região. Como se sabe talvez por más razões, dependemos demasiado da agricultura intensiva, do turismo que é também uma espécie de monocultura e da construção civil”, uma realidade que se destaca entre 2020 e 2024.
O responsável adiantou que foi precisamente neste período que se “legalizou um maior número de imigrantes porque as leis assim o permitiam”. “Estes imigrantes estão a contribuir para as Finanças, para a Segurança Social e estão a pagar as nossas reformas e estão a sustentar a nossa Segurança Social com um lucro acima de dois milhões de euros por ano, números absolutamente confirmados pela Segurança Social”. Como tal, são “Indispensáveis” e devem ser “respeitados como pessoas”, acrescentou o responsável.

Alberto Matos não tem dúvida de que a actuação do governo “vai agravar a crise na economia” e já se sente a falta de mão de obra nomeadamente na agricultura. “Só não é maior porque ao contrário do que o governo diz que as portas estavam escancaradas, nós antes sabíamos quem eram as pessoas, qual era o seu número de Contribuinte e de Segurança Social e continuam a entrar imigrantes em situação ilegal”.
Uma realidade que está presente em “Vila Nova de Milfontes, São Teotónio e na nossa região na altura da apanha da azeitona e continuam a entrar”, também provenientes do país vizinho, a Espanha.
Para o dirigente da SOLIM a solução para combater as situações de ilegalidade no território passam acima de tudo por “abrir as portas à legalidade, era o que as manifestações de interesse faziam com transparência”.

No entanto, são necessárias certas mudanças, como sublinhou. “Seria preciso que os “senhores agricultores” e as grandes companhias internacionais seja na apanha da azeitona, seja no morango ou nos frutos vermelhos, contratassem mais trabalhadores directamente com contratos a prazo de acordo com as campanhas. Hoje em dia os agricultores não contratam praticamente ninguém, é tudo feito através dos intermediários, das máfias e é condenar os trabalhadores a uma situação de maior ilegalidade”.
Alberto Matos tem noção que “os sinais são claros, é uma tendência longa. O Banco de Portugal inclusive avaliza isso e avisa que sem imigração legal que é a única que é desejável, não vamos longe a economia vai sentir”.

O papel da Solidariedade Imigrante tem sido o de “aproveitar todas as janelas” quando se trata de legalização de imigrantes. “Agora fecharam mais algumas com a questão do reagrupamento familiar e também da Lei da Nacionalidade, mas tentamos que as pessoas estejam em situação legal, que reclamem os seus direitos, que vão aos tribunais de trabalho, que chamem a ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho e as autoridades e que não passem, como acontece aqui ao lado em Espanha, a fugir das autoridades. Nós queremos imigrantes integrados e com direitos e não imigrantes a fugir à polícia”, observou Alberto Matos.