Arranca hoje o “Nível Charlie” do Dispositivo de Combate a Incêndios Rurais
Inicia hoje, 1 de julho, o “Nível Charlie” do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR). Este nível representa um reforço do dispositivo de combate a incêndios, com aumento do número de operacionais e meios disponíveis, e estende-se até ao final do mês de julho.A propósito deste reforço, a Associação Sistema Terrestre Sustentável faz …
Inicia hoje, 1 de julho, o “Nível Charlie” do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR). Este nível representa um reforço do dispositivo de combate a incêndios, com aumento do número de operacionais e meios disponíveis, e estende-se até ao final do mês de julho.
A propósito deste reforço, a Associação Sistema Terrestre Sustentável faz um balanço relativamente ao Relatório de Actividades 2024 do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIGR), em que houve menos incêndios, mas quatro vezes mais área ardida.
O incendiarismo é responsável por 84% da área ardida, a qual é quatro vezes superior à do ano anterior (2023) e voltaram a registar-se vítimas mortais associadas aos incêndios: 19 pessoas morreram, incluindo 9 operacionais, um “contraste” com o ano anterior em que não houve vítimas mortais.
Em 2024 segundo a Zero, registaram-se 6 255 incêndios, menos 1 268 face aos 7 523 registados no ano anterior, ou seja, uma redução de 17%, “mantendo a tendência de redução verificada desde 2018”. Contudo, só no mês de setembro, ardeu 92% da área ardida do ano. Esta redução do número de incêndios não se traduziu em menos área ardida, mas sim no oposto. 137 651 hectares foram queimados em 2024, quatro vezes mais do que no ano anterior, (mais 103 142 ha face aos 34 509 registados em 2023) e mais do dobro do limite anual previsto pelo Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais (60 000 ha).
A associação ambientalista reconhece os progressos nomeadamente na investigação de incêndios (99%), nas campanhas de sensibilização e na melhoria na avaliação económica das perdas e das emissões de carbono, entre outros aspectos, mas é preciso mais.
Portugal já queimou 57% da área máxima prevista para o período 2020-2030. Para a Zero é preciso uma “reorganização sérias das políticas públicas, (..) mudar comportamentos e gerir o território de forma sustentável. As metas de 2030 não serão cumpridas e, muito provavelmente, voltaremos a assistir à repetição de tragédias humanas”.