Num ano marcado por mudanças abruptas na forma como os países se relacionam entre si e por diferentes conflitos armados que põem em causa os direitos humanos, a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável critica o processo da União Europeia com a “agenda de desregulamentação, procurando agradar aos grupos de pressão que querem manter os …

Num ano marcado por mudanças abruptas na forma como os países se relacionam entre si e por diferentes conflitos armados que põem em causa os direitos humanos, a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável critica o processo da União Europeia com a “agenda de desregulamentação, procurando agradar aos grupos de pressão que querem manter os seus interesses, mesmo que em prejuízo do bem-comum” e chama a atenção para o papel das organizações da sociedade civil que se torna “ainda mais fulcral e decisivo, enquanto barreira e resistência à falta de visão dos decisores políticos do presente, colocando o tema do pensamento a médio e longo prazo nos pratos da balança”.

Enfatiza o que chama de “ataque orquestrado por parte de alguns grupos políticos do Parlamento Europeu” no que diz respeito aos “poucos financiamentos disponíveis para o movimento ambientalista a nível europeu e ao bom nome de algumas das suas organizações”.
É neste contexto que a ZERO faz o balanço do que melhor e pior aconteceu em Portugal e na UE em 2025 e apresenta as suas perspetivas para 2026.
Nos factos positivos deste ano, destaca-se o papel dos municípios no acelerar da evolução para uma recolha seletiva de alta eficiência. A ZERO acompanhou e monitorizou o desempenho de vários municípios que estão a implementar sistemas de recolha e gestão de resíduos urbanos de alta eficiência, comprovando que é possível, num curto espaço de tempo (2/3 anos) aumentar de forma clara a quantidade de embalagens e de biorresíduos recolhidos de forma seletiva.

Já nos factos negativos, apontam a Estratégia “Água que (des)Une”. O avanço da Estratégia “Água que Une" como “matriz programática e de justificação de políticas, pese embora não tenha sido submetida a uma avaliação ambiental estratégica”. Para os ambientalistas o programa centra as prioridades e o volume de investimento na promoção de um regadio industrial, à medida do agronegócio e sem ponderação adequada dos seus impactos socioambientais.
Nas perspetivas para 2026, focam-se no Plano Nacional de Restauro com desafios estruturais. O ano de 2026 desenha-se como um momento crítico para a política ambiental portuguesa, marcado pela complexa tarefa de finalizar e submeter à Comissão Europeia o Plano Nacional de Restauro da Natureza, cuja entrega está prevista para 1 de setembro. “Este processo implicará o desenho de incentivos financeiros robustos que mobilizem os proprietários privados, detentores da esmagadora maioria do território rústico nacional e sem os quais qualquer estratégia de restauro terrestre estará condenada ao papel”. Simultaneamente, no domínio marítimo, a ambição do plano colide com a dificuldade histórica em implementar áreas de proteção estrita — livres de pesca e outras atividades extrativas — essenciais para permitir o restauro dos ecossistemas.

Ainda a Atualização do Roteiro para a Neutralidade Climática. A Zero espera que em 2026 marque a apresentação da atualização do Roteiro para a Neutralidade Climática, alinhando-o com a meta legal de neutralidade em 2045 e com o PNEC 2030 revisto. Apesar de o processo ter sido formalmente iniciado, 2025 ficou marcado por atrasos e dificuldades de articulação, tornando crucial que a nova versão do roteiro traduza a ambição climática em trajetórias claras, medidas concretas e mecanismos de implementação credíveis.