Alunos com apoio social com menos rendimento escolar. Uma realidade no Baixo Alentejo
Os alunos do 1º ciclo que frequentam a escolaridade do 1º ao 4º ano e que beneficiam de apoio de Ação Social Escolar (ASE) apresentam mais dificuldades em concluir o 1º ciclo (87%), alunos provenientes de famílias com menor rendimento, quando comparados com estudantes que não beneficiam deste apoio (94%), de acordo com números divulgados …
Os alunos do 1º ciclo que frequentam a escolaridade do 1º ao 4º ano e que beneficiam de apoio de Ação Social Escolar (ASE) apresentam mais dificuldades em concluir o 1º ciclo (87%), alunos provenientes de famílias com menor rendimento, quando comparados com estudantes que não beneficiam deste apoio (94%), de acordo com números divulgados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) respeitantes a 2023/2024.
Os dados mais pormenorizados revelam que entre os alunos inseridos no escalão A da ASE, aqueles que são os mais carenciados, os resultados não são positivos já que apenas 83% conclui o 1º ciclo em quatro anos. Por outro lado, no escalão B, terminam sem reprovar 92% dos estudantes.
Para o diretor do Agrupamento de Escolas de Moura, os dados apenas corroboram a realidade que se vive na região. “Infelizmente estamos numa das zonas mais desfavorecidas do país, no interior do Baixo Alentejo, facto que tem um impacto direto no aproveitamento e desenvolvimento das nossas crianças. Estamos numa região cultural e economicamente pobre, há muitas pessoas de baixa escolaridade e de baixos rendimentos e isso reflete-se diretamente na escola e nos alunos”.
Para complementar estes dados, Rui Oliveira avançou com um outro estudo do qual tem conhecimento. “Indica que quanto mais alta for a escolaridade da mãe, maior será o aproveitamento e a prestação do aluno. A parte económica está relacionada, porque na maioria das vezes quando as pessoas têm baixa escolaridade, os seus empregos ou a falta deles, leva a que sejam mais mal remunerados. Tudo isso contribui inevitavelmente para que as famílias não consigam ajudar os filhos e os filhos tenham outra perspetiva, o que origina que os resultados sejam mais baixos. O Baixo Alentejo é claramente das regiões com uma escolaridade mais baixa já há muitos anos”, evidencia o docente.
Sublinha que pelo contrário, no “Norte, a prestação dos miúdos é melhor e eu penso que está diretamente relacionado com as dinâmicas das zonas do país. O Norte tem uma dinâmica muito maior do que o Alentejo. Tem muita indústria, há muito mais dinheiro, as pessoas têm outro tipo de vivências e podem oferece outras coisas aos filhos e isso influencia diretamente na escola. Nós enquanto escola, podemos fazer muita coisa, é verdade, mas não podemos fazer tudo e essa parte está completamente fora do nosso alcance”.
As estatísticas são apenas isso para Rui Oliveira, números. É no dia a dia que se refletem essas dificuldades. “As estatísticas dizem sempre alguma coisa, mas eu prefiro sempre a parte mais pessoal. Nós vemos as dificuldades que temos em Moura e o tipo de alunos que temos e isso leva a que seja muito difícil andar para a frente, o que se nota diretamente nos resultados”.
O Agrupamento de Escolas de Moura integra mecanismos que ajudam a minimizar estas dificuldades sociais. Começa desde logo com o auxílio dos “professores aos alunos e de técnicas especializadas que prestam esse apoio com outro tipo de problemática e dificuldade que haja na sala de aula ou individualmente”.
R
ui Oliveira chamou a atenção para uma situação dramática e real. “Há miúdos que provavelmente a única refeição que fazem é na escola”. Como tal, todos os mecanismos de apoio são válidos.
Numa outra perspetiva relacionada com alunos do secundário, o diretor do agrupamento garantiu ser um grande defensor do projeto Erasmus porque na sua opinião “permite a abertura de horizontes e permite aos miúdos verem outra realidade. Muitos deles não conseguem sair daqui se não for através destes programas e tudo Isso são formas de os ajudar”.