A primeira missão espacial análoga a Marte ao ar livre, destinada a estudantes em Portugal, está a decorrer até sexta-feira, 27 de junho, no Observatório do Lago Alqueva. Nove jovens estudantes europeus de três países diferentes, Portugal, Áustria e Grécia e três professores, um de cada país, estão a experienciar a vida num ambiente isolado …

A primeira missão espacial análoga a Marte ao ar livre, destinada a estudantes em Portugal, está a decorrer até sexta-feira, 27 de junho, no Observatório do Lago Alqueva. Nove jovens estudantes europeus de três países diferentes, Portugal, Áustria e Grécia e três professores, um de cada país, estão a experienciar a vida num ambiente isolado e desafiante, que irá simular Marte em pleno Alentejo. A missão decorre no âmbito do projecto europeu EXPLORE financiado pelo programa Erasmus+, que pretende levar o futuro da exploração espacial às salas de aula.

O Investigador, o Astrofísico Gustavo Rojas, representante da Nuclio, um dos parceiros portugueses do projecto, teve a “missão” de ajudar durante o ano lectivo de 2024/2025 a preparar os estudantes e os professores para esta actividade específica.
Depois de seleccionados os alunos e as escolas, duas de Lisboa e uma de Paredes, distrito do Porto, os “jovens astronautas” ficaram prontos para viver esta aventura inesquecível no Alentejo. As reacções estão a ser bastantes positivas à experiência, já que os estudantes passaram por vários procedimentos e pelo habitat, “um local isolado dentro do Observatório do Lago Alqueva onde só podem comunicar com o resto da tripulação através de chamadas de vídeo ou através de chat, muito semelhante (ao contacto) realizado com os astronautas da estação espacial quando conversam com o centro de controlo na terra”, explicou o coordenador do projecto.
Gustavo Rojas adiantou que o programa está previsto continuar no próximo ano lectivo 2025/2026 e espera ter escolas do Baixo Alentejo a participar na experiência.

Sobre o local escolhido, o Observatório do Lago Alqueva, reúne as condições ideais para este tipo de procedimento. “As missões análogas devem ser realizadas em territórios de baixa densidade populacional, porque as pessoas que participam devem esquecer que estão na terra. Na paisagem do observatório quase não vemos indícios de civilização, é tudo muito calmo, não se ouvem ruídos e tudo isso adiciona a sensação de isolamento. A própria coloração da paisagem da vegetação e dos solos, também se enquadra. É algo que procuramos quando realizamos estas missões análogas”, observou o Astrofísico.

Como enquadramento explicativo do projecto EXPLORE, “as missões análogas são simulações realizadas em ambientes na Terra que partilham características com as condições extremas de outros planetas, como Marte ou a Lua. Estas missões são cruciais para testar equipamentos e procedimentos, bem como os efeitos psicológicos e fisiológicos do isolamento nas tripulações antes de viagens espaciais reais. Oferecem também a oportunidade de encontrar soluções para os desafios técnicos ou médicos (psicológicos) que os humanos enfrentam na Terra. No verão, o Alqueva oferece uma paisagem árida de terra avermelhada semelhante à de Marte, sendo, por isso, o local perfeito para uma missão análoga”.