Entre 29 de setembro e 9 de dezembro, foram capturados 35 linces-ibéricos no âmbito da campanha anual de monitorização que visa aferir o estado em que se encontra a população destes animais que vivem em liberdade em Portugal, um número recorde desde que se iniciaram estes trabalhos, em 2018, comunicou o Instituto da Conservação da …

Entre 29 de setembro e 9 de dezembro, foram capturados 35 linces-ibéricos no âmbito da campanha anual de monitorização que visa aferir o estado em que se encontra a população destes animais que vivem em liberdade em Portugal, um número recorde desde que se iniciaram estes trabalhos, em 2018, comunicou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
“Este número é de extrema importância uma vez que temos a população a crescer como todos sabemos e no fundo foi esse o nosso objetivo inicial quando decidimos começar esta reintrodução. Com o aumento da população (lince-ibérico), a necessidade de termos um conhecimento aprofundado das patologias que podem estar a circular e que podem pôr em causa este trabalho todo que foi feito até agora, faz com que tenhamos que aumentar o número dos animais também”, sublinhou à Planície Nuno Neves, Veterinário do ICNF.

A captura de 35 linces-ibéricos, é fruto de um empenho de várias pessoas e entidades. “Não é só um trabalho do ICNF, embora seja muito importante a parte técnica dos vigilantes e dos CNAF (Corpo Nacional de Agentes Florestais) dentro do ICNF, mas de toda a sociedade civil, os proprietários, os agricultores, os gestores de caça (caçadores), foram peças imprescindíveis neste feito, aliás não só neste como em toda a recuperação do lince e deve-se na sua maioria a eles”, assegurou Nuno Neves.
Ao todo, foram 26 dias de campo na zona do Vale do Guadiana, que começaram a sul, em Odeleite, e terminaram a norte, na zona de Serpa. Nas oito áreas exploradas foram capturados 35 linces, nove deles ainda juvenis. Vinte e dois animais receberam colares emissores equipados com tecnologia LoRaWAN, capazes de comunicar com a plataforma Waze e alertar condutores sempre que um lince se aproxima de troços de estradas perigosos.

Estas campanhas são realizadas anualmente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) desde 2018, e têm como objetivo fazer a recolha de informação sanitária rigorosa, sendo esta a principal base do esforço de conservação desta espécie. Cada exemplar capturado é identificado, fotografado, examinado, vacinado e são recolhidas amostras para análises biológicas e genotipagem.
Sempre que possível, o animal é equipado com um colar emissor. Estes dispositivos ajudam a detetar sinais precoces de problemas físicos, mas também revelam comportamentos e deslocações que permitem mapear riscos reais no terreno, dá conta o ICNF.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas diz que só assim foi possível identificar os troços de estrada mais perigosos, “onde a velocidade dos carros e a curiosidade natural dos linces formam uma combinação letal — uma ameaça que só pode ser enfrentada com dados precisos e com atuação rápida”.

No final dos trabalhos, de monitorização, os animais são libertados no seu habitat natural. Nestes trabalhos estiveram envolvidos diversos técnicos, vigilantes da natureza e agentes florestais, cuja experiência e persistência fizeram de 2025 o ano com mais capturas e mais linces marcados desde o início do programa.
Esta foi a última campanha integrada no projeto LIFE Lynxconnect, uma iniciativa conjunta de Espanha e de Portugal, que está a redesenhar o mapa de sobrevivência da espécie.
Segundo o último Censo do Lince-ibérico, a espécie superou a barreira dos 2 400 exemplares em 2024. Existem 2 401 linces recenseados, entre Espanha (2 047, 85,3%) e Portugal (354, 14,7%), dos quais 1 557 são adultos ou subadultos e 844 são crias nascidas em liberdade.