A Aldeia da Luz foi submersa em novembro de 2002 devido à construção da barragem de Alqueva, que formou o maior lago artificial da Europa. A antiga povoação foi inundada para dar lugar à albufeira, enquanto os seus habitantes foram realojados numa nova aldeia, construída a três quilómetros de distância. A Aldeia da Luz, outrora …

A Aldeia da Luz foi submersa em novembro de 2002 devido à construção da barragem de Alqueva, que formou o maior lago artificial da Europa. A antiga povoação foi inundada para dar lugar à albufeira, enquanto os seus habitantes foram realojados numa nova aldeia, construída a três quilómetros de distância.

A Aldeia da Luz, outrora situada nas margens do rio Guadiana, é um dos símbolos mais marcantes da transformação provocada pela construção da Barragem de Alqueva. Quando as águas começaram a subir, a aldeia original foi lentamente submersa, levando consigo séculos de histórias, tradições e memórias coletivas.

Mas a Luz não desapareceu. Antes de ser engolida pelo grande lago artificial, foi erguida uma nova aldeia, planeada e construída a poucos quilómetros da antiga, com o objetivo de manter viva a comunidade e a sua identidade. Casas, ruas e espaços públicos foram reconstruídos, procurando respeitar a estrutura e o espírito da aldeia original, embora a modernidade tenha inevitavelmente deixado a sua marca.

No entanto, mais do que um conjunto de edifícios, a verdadeira Luz reside nas pessoas. Foram elas que transportaram as lembranças, as fotografias, as histórias e os costumes que continuam a dar vida à nova aldeia. O Museu da Luz, criado para preservar essa memória coletiva, é hoje um espaço de homenagem e reflexão, um lugar onde se recorda não apenas o que foi perdido, mas também o que foi reconstruído com coragem e determinação.
A história da Aldeia da Luz é, assim, uma história de resistência e de renovação. Submersa pela água, mas não pelo esquecimento, ela continua a brilhar como um farol de identidade, memória e pertença no coração do Alentejo.