Agrupamento de Escolas de Moura proíbe uso de telemóveis com algumas excepções
A partir de setembro, no início do próximo ano lectivo, o Agrupamento de Escolas de Moura tem previsto implementar medidas para proibir e restringir o uso de telemóveis em sala de aula e em recinto escolar. Falta de atenção, tarefas que ficam por concluir, perturbação das matérias dadas em sala de aula e da própria …
A partir de setembro, no início do próximo ano lectivo, o Agrupamento de Escolas de Moura tem previsto implementar medidas para proibir e restringir o uso de telemóveis em sala de aula e em recinto escolar. Falta de atenção, tarefas que ficam por concluir, perturbação das matérias dadas em sala de aula e da própria dinâmica de grupo, são razões estudadas e mais do que suficientes para serem usadas como argumentos.
A novidade foi partilhada com a Planície pelo director do Agrupamento, Rui Oliveira, e é quase certa que vá para a frente. “Começo por explicar que as medidas ainda não estão totalmente aprovadas porque ainda vão à aprovação dos órgãos competentes da escola”. No entanto, o docente está confiante de que as novas regras avancem em concordância com o corpo docente e com os pareceres dos psicólogos que integram o grupo escolar.
Segundo o responsável, “o uso de telemóvel vai ser proibido dentro de todas as escolas do Agrupamento de Moura, à excepção da Escola Secundária. Neste caso, os alunos na sala de aula não vão ter o telemóvel em sua posse, vão colocar num local próprio e só o utilizam se o professor precisar para desenvolver alguma actividade, alguma pesquisa ou assim o entender. Caso contrário, dentro da sala de aula o telemóvel não vai ser usado”.
À semelhança de outras escolas do país que já implementaram a proibição e a delimitação do uso do telefone, as Escolas de Moura também irão seguir o exemplo.
Os motivos estão estudados e têm sido como referiu Rui Oliveira, “amplamente discutidos quer a nível interno e um pouco por todo o lado, até na comunicação social”.
Relembrou que “o uso excessivo de ecrãs que a juventude hoje em dia faz está a tornar nocivo para os próprios no que diz respeito à parte de concentração, atenção e no desempenho de tarefas com algum rigor e a não desistirem das mesmas”, está na origem desta decisão. “Aquilo que nós verificamos é que o foco dos alunos tem sido cada vez menor, dispersam muito e à mínima dificuldade, a tendência é desistir. Esse é um dos motivos”, sublinhou.
Mas não será o único. “O outro motivo e já chegámos a essa conclusão é que na maioria das vezes, o telemóvel é um elemento perturbador dentro da sala de aula e como tal, achamos que devemos condicionar o seu uso na escola”.
Enquanto que na Escola Secundária de Moura o telemóvel não poderá ser utilizado dentro da sala de aula, mas poderá ser nos intervalos, nos primeiros e segundos ciclos a questão é outra e se tudo correr como se espera, será mesmo proibido de levar na mochila.
Tal como o docente afirmou, “os mais pequeninos do primeiro e segundo ciclo na realidade, a maioria deles não precisa de telemóvel. Eu sei que quase todos têm, mas não precisam porque o telemóvel serve quase como uma consola de jogos e pouco mais, porque em caso de alguma situação urgente que envolva o Encarregado de Educação e que este precise de ser contactado ou que necessite de contactar o seu filho, há sempre os meios da escola que rapidamente e facilmente o conseguem fazer. Portanto, o seu uso dentro da escola não é assim tão necessário”.
A decisão de impor a medida nestas idades, dos 6 aos 12 anos, está relacionada com algo tão simples e tão indispensável nesta fase da vida: brincar e conviver.
E a realidade, como explicou Rui Oliveira, é precisamente essa. “Os miúdos deixaram de brincar no intervalo e passaram a estar agarrados aos telemóveis e, nestas idades mais pequenas, o mais importante é que eles brinquem, saltem, joguem à bola e façam as traquinices da idade que são benéficas para o seu crescimento”.

Para o director do Agrupamento de Escolas de Moura os limites impostos funcionam como “medidas preventivas para que os alunos tenham mais qualidade de vida no tempo que passam na escola”.
A regra de proibição total não foi ampliada ao terceiro ciclo porque a direcção não viu essa necessidade. “Verificamos que nos adolescentes e jovens adultos o uso de telemóvel fora da sala de aula não é muito representativo, ou seja, a maior parte dos miúdos já não usa o telemóvel nos intervalos. Preferem estar na conversa uns com os outros ou a lanchar. Claro que há quem utilize, mas a maioria já não o faz”.

Realçou, todavia, que como são estudantes “com outra maturidade, o telemóvel pode ser mais uma ferramenta a utilizar na escola se o professor assim o entender. O telemóvel pode vir para a escola, mas com algumas condicionantes e como todos sabemos, na adolescência, temos a ideia de que a proibição total do telemóvel na escola, iria ser mais prejudicial do que benéfica”. E no meio termo, a ideia foi pensar numa medida “mais equilibrada”.
Expectante para ver a reacção dos alunos em setembro, Rui Oliveira acredita que para muitos será “uma surpresa”, embora alguns dos estudantes já saibam da novidade porque foi falada com o professor através de uma entrevista para um projecto de trabalho.
Também no Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Moura, o órgão de direcção estratégica da escola que integra alguns alunos, o assunto foi igualmente falado.
“De qualquer modo é capaz de existir alguma surpresa inicial e eventualmente alguma resistência inicial, mas eu acredito que será algo muito passageiro, uma semana ou 15 dias e, depois como tudo na vida, todos nos habituamos às novas regras e às novas condições e as coisas naturalmente vão-se desenrolando”, reforçou o director.