O impacto dos smartphones e das redes sociais no sono, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, é profundo, afetando tanto a quantidade como a qualidade do descanso, alerta o psiquiatra Gustavo Jesus num artigo escrito para a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

A exposição à luz azul dos ecrãs inibe a produção de melatonina, hormona essencial para a indução do sono, perturbando o ritmo circadiano e dificultando o adormecimento.

Além disso, o uso cognitivo e emocional dos dispositivos mantém o cérebro em alerta, contrariando o relaxamento necessário para dormir. O tempo dedicado ao ecrã durante a noite substitui o tempo de sono, levando a uma privação crónica.

Esta falta de sono compromete a atenção, a memória e a regulação emocional. Notificações e a presença do telemóvel no quarto fragmentam o sono, que se torna mais leve e menos reparador.

Para mitigar estes efeitos, é fundamental limitar o uso noturno dos dispositivos, interrompendo a exposição a ecrãs uma hora antes de dormir, manter o smartphone fora do quarto ou em modo avião, e promover hábitos de higiene do sono com ambientes calmos e rituais relaxantes.