ZERO quer auditoria urgente ao Empreendimento de Alqueva
Publicado | 2019-11-19 16:52:37
 
A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, afirma que há “descontrolo na instalação das explorações agrícolas de regadio na área de influência de Alqueva” e identifica violação aos Planos Directores Municipais numa área superior a 5 mil hectares.
 

Segundo uma publicação da ZERO “com o incremento e a expansão do sistema de rega do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) e áreas adjacentes, temos assistido à instalação de culturas intensivas fora dos blocos de rega, em áreas onde as mesmas são proibidas ou são condicionadas nos Planos Directores Municipais (PDM).”

Tendo em conta um levantamento realizado pelo Movimento Alentejo Vivo, “só no concelho de Beja encontra-se uma área superior a 2500 ha onde foram instaladas culturas intensivas de regadio em incumprimento, atingindo este valor mais de 2000 ha em Serpa e em menor expressão no concelho de Ferreira do Alentejo, estendendo-se esta situação um pouco por todos os outros concelhos envolventes.”

No documento pode ler-se ainda que “acresce a esta situação o facto de que em algumas das áreas projectadas dos novos blocos de rega da 2ª fase do EFMA as culturas terem sido instaladas antes de ser aprovada a sua implementação. “

A Associação explica que os modos de instalação cultural são desacuados.

“No que respeita ao modo de instalação das culturas é manifesto o seu impacto no solo, nomeadamente quando se aplicam técnicas pouco apropriadas em declives acentuados, sem qualquer respeito pelas curvas de nível e atendendo apenas às vantagens que daí podem decorrer para os trabalhos agrícolas.

Os camalhões elevados e orientados no sentido dos declives, as ripagens exageradas ou até desnecessárias, o enrelvamento da entrelinha por vezes residual ou até inexistente, ou a ocupação das margens de linhas de água, são algumas das constatações no terreno.

Numa área onde o risco de desertificação constitui uma das principais preocupações para a sua sustentabilidade, não entendemos como à conta de ganhos a curto prazo podemos estar a colocar em causa a fertilidade destes solos a longo prazo.”

Levantando um número de questões sobre a situação, a ZERO exige a imediata intervenção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Alentejo (CCDRA), no “sentido de fazer cumprir os preceitos previstos nos diversos instrumentos de gestão territorial em vigor, bem como da Inspecção Geral do Ambiente, do Mar, da Agricultura, do Ordenamento do Território (IGAMAOT), pelo que será solicitada uma auditoria urgente à forma como todo o processo de instalação dos perímetros de rega tem decorrido, por forma a descortinar quem falhou e porque falhou, para apurar responsabilidades e corrigir o que ainda for possível corrigir.”

 



Leia esta notícia na integra na edição impressa do Jornal «A Planície»
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