Culturas permanentes em Alqueva já vão com 53% de área
Publicado | 2019-06-19 04:00:40
 
O Grupo Parlamentar do PCP apresentou na Assembleia da República um Projecto de Resolução que recomenda ao Governo o desenvolvimento de um regime de ordenamento e gestão das áreas de produção agrícola em regime intensivo e superintensivo.
 
O deputado do PCP eleito por Beja, João Dias, sublinhou que “o Partido tem demonstrado por diversas vezes preocupações relativamente com aquilo que tem a ver com a implantação de culturas intensivas e superintensivas. De facto já o ano passado apresentamos um projecto sobre a necessidade de motorizar o impacto destas culturas e foi rejeitado pelo PS, PSD e CDS. Este ano acabamos por apresentar mais um projecto que visa precisamente aquilo que é o regime. A dimensão e a plantação de olival e amendoal intensivo e mesmo outras culturas permanentes tem já uma expressão naquilo que é a influência do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, (EFMA), que importa ter aqui um ponto de ordem em que se faça um Regime de Ordenamento desta área que é no Distrito de Beja.”
O parlamentar acrescenta que “aquilo que estava projectado no impacto ambiental do EFMA, era estas culturas permanentes não ultrapassassem os 30%. Vamos já com uma área de 53%.”
O deputado adianta que “não é por acaso que a população se queixa. A população, não se levantou um dia de manhã e lembrou-se: - vamos aqui levantar problemas em relação ao olival e ao amendoal.  O que faz é queixar-se de efeitos que está a sentir na pele. Nesse sentido nós ao contrário do sr. Deputado Pedro do Carmo, que defende o olival intensivo e superintensivo, nós defendemos a população e um modelo de desenvolvimento diferente.”
Sobre os modelos defendidos pelo PS e pelo PCP, João Dias sublinhou que “este modelo agrícola em vigor, ao contrário do que o sr. Deputado Pedro do Carmo diz, que vem trazer mais emprego, isto é falso. Trás emprego precário, explora mão de obra vinda do estrangeiro, com salários baixos e trás emprego sazonal. Não trás emprego que permita a fixação da população, muito menos dos jovens, ao contrário do que ele diz.
Nós defendemos um modelo precisamente contrário a esse. Um modelo de diversidade agrícola, económica e que permita a fixação das pessoas, dos jovens e permita o desenvolvimento do nosso Distrito.”
O deputado salientou que “importa antes de mais, que, sejam identificadas e cadastradas todas as explorações que existem de regime intensivo e superintensivo, que seja feita uma carta de ordenamento e que sejam feitas também medidas de prevenção. Entendemos que devemos apoiar e estar ao lado das populações, estar ao lado do desenvolvimento económico da nossa região e não ao contrário como o sr. Deputado Pedro do Carmo que, está ao lado só de 2 ou 3. Porque a verdade é que nas margens de Alqueva, 2 ou 3 estão muito felizes com a riqueza que estão a tirar e a maioria das pessoas do Distrito de Beja estão a ficar absolutamente preocupadas e não estão a ver efeitos positivos na sua vida com a riqueza que é nossa, com a água que é nossa, da terra que é nossa e que vai para as mãos de 2 ou 3 que ainda por cima são estrangeiros.”

 



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