Polémica com fim de apoios a novos projectos de olival no Alqueva
Publicado | 2019-06-14 04:14:50
 
O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou o fim da concessão de apoios a novos projectos para instalação de olival no perímetro de Alqueva, ou à instalação de agroindústrias associadas, no âmbito do actual quadro comunitário de apoio.
 
O governante comunicou estas medidas na Assembleia da República no início do debate de urgência requerido pelos Partido Ecologistas "Os Verdes" (PEV), durante o qual criticou "a desinformação" existente, assim como as "distorções" sobre as consequências da prática da agricultura na zona do Alqueva.
Na mesma intervenção, Capoulas Santos anunciou uma série de medidas limitadoras à extensão do olival no Alqueva.
Perante este anúncio o deputado do PS eleito por Beja, Pedro do Carmo, sublinhou que “o que foi comunicado pelo ministro foi um novo olhar, um olhar mais atento para a plantação do olival. O governo não está afastado da realidade e, percebe que é preciso tomar algumas providências e alguma atenção.”
O parlamentar adiantou ainda que “aquilo que foi anunciado foi relativo ao novo quadro comunitário de apoio. Vai ter que ser ponderadas todas as situações. Eu penso que é um sinal positivo que temos, para que haja em alguns casos descontinuidade do olival e para que sejam ponderados os investimentos agro-industriais. Também tem que ser ponderadas as situações onde há uma tradição de olival e novos perímetros a instalar. Muito do que se diz não corresponde à verdade, nem tem base científica, mas é preciso ter um olhar mais atento sobre esta questão.” 
Por seu lado o PCP entende que a medida não deve ser só em relação aos apoios, mas a todos, incluindo as empresas que não necessitam desses fundos comunitários.
João Dias deputado do PCP por Beja salienta que “antes de mais notar aquilo que é a incoerência do discurso do sr. Ministro da Agricultura, talvez esteja relacionado com o facto de estar à porta mais um acto eleitoral e saber de antemão que a população do distrito de beja e do Alentejo não está nada satisfeita com aquilo que tem sido o seu comportamento, face a uma queixa da população que tem a ver com o grande impacto ambiental e na saúde pública do olival intensivo e das culturas intensivas e superintensivas. De facto o Ministro tem-se mostrado pouco receptivo às queixas da população, áquilo que tem sido a pressão que o PCP tem feito na Assembleia da República, eu próprio diversas vezes o tenho questionado face à necessidade de alterar as medidas do que está a ser concessionado de olival no perímetro de rega de Alqueva.”
João Dias acrescentou ainda que “tem o PCP levado à Assembleia da República projectos de resolução que são sucessivamente rejeitados por parte do grupo parlamentar do PS. Aquilo que nós temos a dizer é que não basta só a questão dos apoios. Grande parte destes olivais são feitos por empresas que não recorrem a qualquer tipo de apoio, porque elas têm capacidade económica e financeira suficiente para fazer a plantação dos seus olivais. Alguns deles fazem já fora do perímetro de rega de Alqueva, indo eles próprios buscar a água de Alqueva a outros terrenos onde eles têm essas culturas, são adjacentes e portanto fazem eles próprios o respectivo regadio, com os seus custos. São empresas com grande capacidade económica e que não vão recorrer aos fundos europeus. O que nós queremos é que haja limitação em termos de plantação e não só aquela que recorre aos fundos europeus. É preciso ter em consideração tudo aquilo que é plantação de olival intensivo, isto respeitando o princípio da precaução antes de mais, avaliando as consequências que o olival está a ter no ambiente e na saúde da população.”
 



Leia esta notícia na integra na edição impressa do Jornal «A Planície»
Untitled Document Untitled Document Untitled Document
19 20
8 8
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Untitled Document
 
    © 2015 - Sociedade Editorial Bética, Lda