Dia Internacional dos Abutres – Nidificaram, em 2018, oito casais de abutre-preto na Herdade da Contenda
Publicado | 2018-08-31 15:36:34
 
O Dia Internacional dos Abutres celebra-se anualmente no primeiro sábado de Setembro. Nesta efeméride, por todo o mundo, procura-se alertar a sociedade para a importância da conservação deste grupo de espécies, vitais para o ecossistema mas que enfrentam sérias ameaças nas áreas onde ocorrem.
 

Por cá, destacamos a conservação do Abutre-preto, a espécie de abutre mais ameaçada de Portugal, dando a conhecer os resultados de mais uma época de reprodução no sudeste do Alentejo.

Em 2018, nidificaram oito casais de abutre-preto no Alentejo, na Herdade da Contenda, tendo assim duplicado o número de pares reprodutores na região, e representando actualmente cerca de um terço dos casais existentes em Portugal. Dois destes casais conseguiram criar com sucesso, dando deste modo continuidade à recuperação desta ave no Sul do país.

A monitorização efectuada pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) em colaboração com a Herdade da Contenda, Empresa Municipal (E. M.) e com o acompanhamento do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), confirmou este ano a existência de oito casais nidificantes de abutre-preto nesta herdade, no concelho de Moura, cinco em ninhos artificiais anteriormente instalados pelo projecto LIFE “Habitat Lince Abutre” e três em ninhos naturais. Quatro desses casais conseguiram fazer postura de um ovo (como é característico da espécie), dos quais nasceram duas crias. Estas crias, ambas machos, terão já ultrapassado os quatro meses de idade, devendo, em breve, deixar os seus ninhos com sucesso!

Desde que em 2015 a espécie voltou a reproduzir-se no Alentejo, após mais de 40 anos sem registo de reprodução a sul do rio Tejo, este é o quarto ano consecutivo que o abutre-preto cria com sucesso na região. É um resultado que vem reforçar o restabelecimento de um núcleo reprodutor desta ave no Alentejo, tendo sido possível, sobretudo, em consequência dos esforços de conservação desenvolvidos pela LPN, assim como da indispensável colaboração da Herdade da Contenda, E. M. e da sua adequada gestão desta propriedade.

Ao longo do último ano, a monitorização da reprodução do abutre-preto e as medidas de conservação dirigidas a esta espécie na região foram realizadas no âmbito do projecto Orniturismo - Conservação, Protecção e Valorização do Património Ornitológico, co-financiado a 75% pelo Programa de Cooperação Interreg V A Espanha - Portugal (POCTEP) 2014-2020. A LPN e a Herdade da Contenda, E. M. são dois dos parceiros deste projecto, que tem por objectivo geral conservar, proteger e valorizar o Património Ornitológico presente na região transfronteiriça Alentejo-Andaluzia, com a finalidade de desenvolver e consolidar modelos de actividades turísticas sustentáveis, que possam contribuir para o reforço da economia de ambas as regiões.

De salientar ainda que, recentemente e na presença do ICNF, uma das novas crias de abutre-preto foi marcada com um emissor GPS/GSM cedido pela Vulture Conservation Foundation (VCF) no âmbito de um projecto financiado pela Fundação MAVA para o aumento do conhecimento e monitorização da ecologia, movimentos e mortalidade de espécies de abutres na Europa. Na ocasião, foi também colocada uma anilha PVC verde com código em branco (E8) para sua posterior identificação no terreno, tendo a jovem ave sido baptizada de “Murtigão”, nome do curso de água mais importante que atravessa a Herdade da Contenda, onde nasceu. O emissor permitirá conhecer em detalhe os movimentos e as áreas utilizadas por este abutre-preto, esperando-se que forneça informação útil para a conservação da espécie. Até ao momento, foi já possível confirmar que iniciou os seus primeiros voos.

Os abutres são extremamente importantes para manter a sanidade dos ecossistemas, estando no entanto ameaçados de extinção em Portugal e sujeitos a diversas ameaças à sua sobrevivência, a maioria de origem humana, de onde se destacam o envenenamento ilegal e a escassez de alimento. Também a utilização do diclofenac (um anti-inflamatório não esteroide) para o tratamento do gado representa um enorme risco para estas aves necrófagas no nosso país, em particular numa altura em que o Estado Português está a avaliar a autorização do seu uso na pecuária. Recorde-se que a ingestão de animais tratados com diclofenac provoca insuficiência renal aguda nestas aves, culminando na sua morte num curto espaço de tempo, tendo este medicamento veterinário sido responsável pelo dramático e abrupto declínio dos abutres no subcontinente indiano, o que levou a que tenha sido banido nessa região.
 



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