Covid-19 - Administração da ULSBA denunciada às autoridades
Publicado | 2021-02-22 19:09:48
 
O movimento “Cidadãos de Beja” denunciou este fim-de-semana “os graves comportamentos” do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), enquanto responsável pela regulação da administração das vacinas Covid-19 no Baixo Alentejo, às entidades: Procuradoria do tribunal Judicial de Beja, Entidade Reguladora da Saúde, directoria do Sul da Polícia Judiciaria, Cordenador da Task Force, provedoria da justiça, IGAS e presidente da ARS Alentejo.
 

Segundo nota de informação enviada à Planície em que referia “Dado os graves comportamentos do Conselho de Administração da ULSBA enquanto responsável pela regulação da administração das vacinas COVID no Baixo Alentejo, com excepção do concelho de Odemira, e o de varias entidades que foram beneficiárias desses comportamentos ilícitos que não tiveram em conta a salvaguarda do interesse publico e nomeadamente o cumprimento das normas da DGS e a defesa da saúde da população Baixo Alentejana idosa e da portadora de doenças graves”, o movimento “Cidadãos de Beja” entendeu participar estes comportamentos às entidades responsáveis e autoridades nacionais, e tornando público o teor dessa participação.

O documento refere ainda que “se verificou um comportamento pouco claro, grave e fortemente violador do interesse público”. Acrescentado que “não podemos que impunemente alguns, como se fossem donos disto tudo, com a arrogância do poder que detêm, o utilizem a seu belo prazer e benefício”.

Por último solicita a estas entidades “uma investigação séria, célere e isenta”.

 

Transcrição do documento na integra:

Em face dos graves e reiterados comportamentos desenvolvidos pelo Conselho de Administração da UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO BAIXO ALENTEJO, EPE (ULSBA), no âmbito do descontrolo da administração da VACINA COVID,

Vêm participar e requerer a V.Exa a investigação e perseguição criminal da Presidente e dos membros do Conselho de Administração da ULSBA, EPE, com sede em Beja, Hospital José Joaquim Fernandes, que se vier apurar responsáveis pelos comportamentos a seguir denunciados, bem como de todos os beneficiários de tais comportamentos,

Com os fundamentos seguintes:

1 – É do conhecimento público, por correr pelas redes sociais e pela comunicação social local e nacional, entre outros, rádio Voz da Planície, Rádio Pax, rádio Planície, CMTV,  que o Cnselho de Administração da ULSBA EPE foi vacinado, com exceção do seu vogal Dra. Iria que recusou sê-lo, antes que o fossem TODOS os médicos, enfermeiros e outros técnicos da ULSBA;

2 – Mais foi divulgado que o vice-presidente da Câmara Municipal de Beja, casado com a presidente do C. De Administração, engenheiro de profissão, também foi vacinado;

3 – Posteriormente, foi sabido e divulgado que, para além do vice Presidente,também pelo menos o Presidente da Câmara de Beja e outros dois vereadores da maioria do Executivo Municipal foram vacinados;

4 – O diretor do DICAD, Sr. Sardica, que não detem qualquer qualificação técnico-profissional nem contato com os utentes também foi vacinado, não o tendo sido nenhum médico, psicólogo ou técnico desse DICAD;

5 – Também vacinados foram vários serviços administrativos da ULSBA, na sua totalidade, cujos profissionais não têm qualquer contato com doentes, como a título meramente exemplificativo, indicaremos:

Serviço de Informática;

Serviço de Pessoal;

Serviço de Contabilidade;

Administradores Hospitalares

Etc, etc...

Tudo nos termos de mapa de prioridades elaborado pelo Conselho de Administração da ULSBA.

6 – Após a denúncia pública e pela comunicação social, o Vice Presidente da Câmara e o Diretor Regional do DICAD confirmaram publicamente ter sido vacinados, justificando ter sido “chamados” pelo médico de família para o efeito por terem problemas cardíacos e mais de 50 anos!!!

Nada mais falacioso...

 7 –  JUSTIFICAR O INJUSTIFICÁVEL?

Foi publicada no dia 30 de Janeiro pela DGS a norma da Campanha de Vacinação Contra a COVID-19 – Fase 1,  Esta norma foi actualizada no dia 9 de Fevereiro.

Estão definidas no site da DGS as datas de vacinação  sendo claro que as pessoas com mais de 50 anos e doenças associadas (doença coronária, insuficiência cardíaca, insuficiência renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica) e todas aquelas que têm mais de 80 anos iam começar a ser vacinadas a partir de Fevereiro.

Entretanto foi publicada no diário do Alentejo  dia 16 de Fevereiro uma noticia que referia

O processo de vacinação contra a covid-19 destinado a idosos com mais de 80 anos e a pessoas entre os 50 e os 79 com comorbidades deveria ter arrancado em Beja na passada quarta-feira, como tinha sido anunciado pelo presidente da Câmara Municipal, Paulo Arsénio. Mas devido ao “número insuficiente de vacinas” que chegaram ao Alentejo, o início desse processo foi adiado.

A previsão é que “assim que houver [vacinas] em número suficiente” - ainda antes do final do mês de fevereiro, - a inoculação arranque em Beja, explica Paulo Arsénio. operação.

Em declaração ao “Diário do Alentejo”, o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, Dr. José Robalo, confirmou que a vacinação na região começou esta semana mas apenas em dois centros de saúde: o de Grândola e o de Elvas. “Nesta primeira fase piloto, foram distribuídas 1 500 vacinas, tendo em conta a existência de pessoas que obedecem aos critérios de vacinação. A distribuição foi feita de forma a existir uma maior equidade de acesso em relação a estes dois centros de saúde”.

Segundo José Robalo, “se tudo correr bem”, no que diz respeito à marcação de vacinas, o processo estender-se-á ao Baixo Alentejo e ao Alentejo Central nos próximos dias. “Quando passarmos ao Baixo Alentejo será o conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba) que decidirá, em função do risco de incidência do novo coronavírus, qual ou quais os concelhos que devem iniciar a vacinação. O mesmo acontecerá em relação ao Alentejo Central”, acrescenta o presidente da ARS do Alentejo, sublinhando que a ideia é “começar devagar, mas de forma sustentada para que não existam quebras”

Conceição Margalha, presidente do conselho de administração da Ulsba, confirma ao “DA” que não existem ainda certezas quanto ao início da vacinação no Baixo Alentejo. “Estamos a preparar tudo para que isso aconteça, mas não sabemos ainda a data em que começa, nem quanto é que iremos ter as vacinas.

8 – E é o próprio Conselho de Administração da ULSBA que publicita em relação ao processo de vacinação Fase I

 

No dia 18 de Fevereiro é publicado no site da ULSBA a seguinte noticia

CENTRO DE SAÚDE DE ALJUSTREL VACINA UTENTES CONTRA A COVID-19

Dando continuidade à implementação da fase 1 do Plano de vacinação contra a Covid-19, iniciou-se a 17 de fevereiro de 2021, no Centro de Saúde de Aljustrel, a administração de vacinas aos utentes pertencentes ao grupo prioritário definido pela Direção-Geral da Saúde.

Utentes com idade igual ou superior a 50 anos e com comorbilidades descritas na Norma n.º 2/2021 e utentes com idade igual ou superior a 80 anos.

Com uma capacidade para vacinar até 150 utentes por dia, cuja chamada é efetuada pelos profissionais do Centro de Saúde, serão administradas, durante os próximos dias, as 444 doses disponíveis.

Conforme transmitido pela Coordenação Nacional do Processo de Vacinação, está previsto o seu alargamento aos restantes Centros de Saúde da ULSBA, EPE, estando este dependente do número de vacinas que chegarem a Portugal e tendo em linha de conta a incidência de casos de doença em cada concelho.

VACINAÇÃO DE UTENTES COM IDADE IGUAL OU SUPERIOR A 50 ANOS E COM COMORBILIDADES NOS CENTROS DE SAÚDE

Dá-se igualmente conhecimento que se procedeu à vacinação de utentes com mais de 50 anos e com comorbilidades, cumprindo a Norma da DGS anteriormente referida mas na sua versão à data (que sofreu atualização em 09.02.2021 para incluir os utentes com idade superior a 80 anos como grupo prioritário), nos diversos Centros de Saúde da ULSBA, EPE, desde o dia 21 de janeiro de 2021, utilizando vacinas de ERPIS em surto, na sequência de orientações emanadas superiormente, tendo à data de 12 de fevereiro de 2021 já sido vacinadas 672 pessoas, 397 das quais já com o processo de vacinação completo.

9 – Como facilmente se alcança da comparação das normas e orientações emanadas da DGS e orientações e Informações veículadas pelo Sr. Presidente da ARSA, Dr. José Robalo, com o último parágrafo transcrito no número anterior, facilmente se conclui que, sem qualquer apoio de Norma ou Indicação superior, que invoca mas não demonstra, o Conselho de Administração da ULSBA insere de sua lavra nessa sua comunicação para tentar tapar com “utilizando vacinas de ERPIS em surto, na sequência de orientações emanadas superiormente, tendo à data de 12 de fevereiro de 2021 já sido vacinadas 672 pessoas, 397 das quais já com o processo de vacinação completo.” a ilegalidade do ato de vacinação das personalodades supra referenciadas.

10 -  As noticias publicadas no dai 18 no site da ULSBA de Fevereiro no Diário do Alentejo são contraditórias com as que foram dois dias depois publicadas dois dias antes no Diário do Alentejo

 A ULSBA comunicou, a posterior as inoculações em causa, a vacinação das pessoas com mais de 50 anos para o dia 21 de Janeiro… na sequência de orientações emanadas superiormente

 Porque começaram a vacinar as pessoas com mais de 50 anos e doenças associadas e todas aquelas que têm mais de 80 anos se a vacinação destas pessoas estava prevista a partir de fevereiro???

Qual a causa da antecipação desta data? A utilização de  vacinas de ERPIS em surto….???

Depreende-se que sobraram vacinas que permitiram vacinar 672 pessoas 397 das quais já com o processo de vacinação completo

Quantas destas pessoas tinham mais de 50 anos com morbilidades e quantas tinham mais de 80 anos???

 A ULSBA tinha já definido listas de pessoas que seriam vacinadas em caso de sobras?

Entretanto, a 2 de Fevereiro era noticiado na TV1 que no Centro de Saúde de Moura sobraram 28 vacinas e que tinham sido dadas aos bombeiros…. O critério para a utilização das sobras é o mesmo em toda a zona de abrangência da ULSBA??

Quantos lares ficaram por vacinar a partir do dia 21 de Janeiro? Quantos bombeiros ficaram por vacinar??

Este é um comunicado para justificar o injustificável….Pôr areia nos olhos das pessoas

Foi claramente feita uma comunicação com o propósito de justificar as vacinas indevidas

Como flui de tudo o exposto, dúvidas não podem sobrar de que se verificou um comportamento pouco claro, grave e fortemente violador do interesse público.

Muitos de nós, cidadãos de Beja, temos familiares, amigos, vizinhos pessoas idosas que sofrem de doenças crónicas e não temos nem queremos tratamento de favor.

Mas também não podemos que impunemente alguns, como se fossem donos disto tudo, com a arrogância do poder que detêm, o utilizem a seu belo prazer e benefício.

Solicitamos, pois, investigação séria, célere e isenta.

 Beja, 20 de Fevereiro, de 2021

Cidadãos de Beja

 



Leia esta notícia na integra na edição impressa do Jornal «A Planície»
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