“Há alunos no distrito de Beja que não têm luz eléctrica…” Manuel Nobre presidente do SPZS
Publicado | 2021-02-18 05:30:43
 
O encerramento das escolas, decretado pelo Governo em Janeiro deste ano, estava previsto inicialmente, ser durante cerca de 2 semanas. O agravar da situação epidemiológica levou a que esse prazo se prolongasse. Estando a manter-se o ensino à distância, muitos são os problemas que surgem, quer a nível dos professores quer com os alunos. O presidente do Sindicato dos Professores da Zona Sul, (SPZS) Manuel Nobre, referiu à Planície que a situação no distrito de Beja é semelhante à do resto do País, com dificuldades e problemas.
 

“O Ministério da Educação, até certa altura ignorou tudo o que eram opiniões, sugestões, contributos, para que o ano lectivo se iniciasse e decorresse de forma adaptada à realidade. Entendeu iniciar logo em Setembro, as actividades lectivas, como se nada se passasse. Manteve o mesmo número de alunos por turma, manteve a falta crónica de pessoal auxiliar nas escolas, para ajudar às limpezas e higienização, a falta de professores manteve-se”. 

O sindicalista salienta que “o Ministério e o Governo, sempre foram dizendo, que as escolas eram dos locais mais seguros para estar. Que não havia contágios e nesse sentido manteve-se as escolas a funcionar, como se nada se passasse, com algumas medidas, que estavam muito longe do que era a realidade. Até que a certa altura tiveram que encerrar durante um período de cerca de duas semanas”.

Sobre este período de fecho das escolas, acrescenta que “nós esperávamos que fosse para preparar o retorno às aulas presenciais, com medidas de segurança adaptadas ao sistema educativo, no sentido de salvaguardar a saúde de todos”.

Manuel Nobre adianta que “o Ministério preferiu o caminho mais fácil.  Aparentemente não preparou o retorno às actividades lectivas presenciais, que é o modelo que nós defendemos. É mais justo, não deixa alunos para trás, garante a igualdade.  O Governo entendeu manter em teletrabalho os docentes e os alunos em ensino à distância”.

Sobre os problemas e dificuldades, que tem surgido, o presidente do SPZS salienta estar a acontecer que “estamos a receber contactos de colegas e de encarregados de educação, dando nota das dificuldades, que este regime representa. Há alunos que não têm luz eléctrica, outros não tem internet, uns não tem os meios informáticos, outros tem os meios, mas não tem acesso à internet. A maior parte dos professores também tem problemas. Há quem tenha filhos em casa, estão a dar aulas à distância, mas tem que tomar conta dos seus filhos. Outros colegas tem que repartir os meios informáticos com os filhos, com os seus familiares. Aquilo que seria a solução transitória e de recurso, parece que, (dada a inércia e à impreparação do Governo), está para ficar com todas as consequências e prejuízos, para o sistema educativo e para o normal funcionamento da Escola Pública, que tem como responsável o Governo. Este não soube estar à altura do que a situação exigia”.

O sindicalista afirma que “iremos continuar a insistir, no sentido que sejam tomadas medidas concretas, que defendam a saúde de todos, mas também para que se criem os mecanismos para um retorno progressivo ao ensino presencial. É a única forma de garantir o efectivo papel da Escola Pública e da educação de todos os portugueses”.

 



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