Covid-19 - Ordem dos Médicos deixa “Grito de alerta pelos doentes”
Publicado | 2021-01-19 03:54:48
 
A Ordem dos Médicos, (OM), em comunicado, deixa um Grito de Alerta pelos doentes, salientando que “a situação emergente que se vive na Saúde em Portugal, por ausência de medidas robustas por parte de quem tem a responsabilidade política de tomar decisões, impelem o Bastonário da Ordem dos Médicos e o seu Gabinete de Crise para a Covid-19 a renovar um conjunto de propostas urgentes para combater de forma mais eficaz a pandemia em curso”.
 

O documento refere 10 medidas entre as quais “Comunicar aos portugueses de forma transparente, coerente e objectiva, não omitindo a verdade, não tentando esconder a gravidade da situação, nem tentando encontrar bodes expiatórios para justificar a incapacidade de liderar o combate à pandemia.

 Adoptar sem reservas e com a maior brevidade um confinamento geral, no mínimo semelhante ao que ocorreu em Março/Abril de 2020, aquando da primeira onda da pandemia, com uma situação muito menos severa.

Reforçar a capacidade de resposta das equipas de saúde pública, com os meios necessários e profissionais de saúde competentes para desempenhar as tarefas de realizar inquéritos epidemiológicos válidos e em tempo útil, que permitam identificar rapidamente os contactos de alto risco e quebrar cadeias de transmissão da doença Covid-19.

Aumentar de forma exponencial a capacidade de testagem de pessoas infectadas e seus contactos, através da utilização massiva de testes rápidos, para tentar recuperar o tempo já perdido na quebra de cadeias de transmissão e reforçar a capacidade de resposta da saúde pública.

Libertar os médicos de família do Trace-Covid (e contratar médicos para esta tarefa específica), para que a principal porta de acesso ao SNS possa estar aberta e não parcialmente encerrada.

Proteger verdadeiramente as pessoas mais frágeis, nomeadamente os nossos idosos que estão nos lares, contratando equipas específicas com formação adequada, para que possam ter acesso privilegiado a cuidados de saúde em segurança.

 Rever com urgência os protocolos e funcionamento da linha SNS 24, para garantir informação consistente, adequada e eficaz aos cidadãos”.

Para a OM, a linha vermelha já foi ultrapassada há muito tempo.

“Os profissionais de saúde neste momento têm de tomar decisões complexas e muito difíceis em contexto de medicina de catástrofe e de estabelecimento de critérios de prioridade e não conseguem salvar todas as vidas. São eles que desesperam perante os limites do sofrimento e da compaixão, mercê da incapacidade de tratar o outro, e assim são vítimas de burnout e sofrimento ético. São eles que, além dos doentes, sofrem no terreno, e que aguentam a pressão brutal sobre o SNS. (Não será preciso recordar os mais de 25 milhões de consultas presenciais, cirurgias e exames complementares de diagnóstico e terapêutica que ficaram pelo caminho e continuam a ficar)”.

O comunicado refere ainda que é emergente esmagar a transmissão na comunidade. Dada a evolução actual da pandemia, é necessário actuar agora com todos os meios para ter resultados consistentes daqui a 2 semanas.

 



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