Rodoviária do Alentejo contestada para "mais e melhores transportes"
Publicado | 2020-09-10 04:46:51
 
Um movimento de utentes de Ferreira do Alentejo contestou hoje a redução da oferta de serviço público de transporte rodoviário que serve o concelho devido à pandemia de covid-19 e exigiu "mais e melhores transportes".
 

"Devido à covid-19, houve uma redução drástica" da oferta de transporte público rodoviário que serve a população em deslocações dentro e para fora do concelho, disse à agência Lusa Paulo Conde, do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos de Ferreira do Alentejo, no distrito de Beja.

Segundo o responsável, a concessionária dos serviços públicos de transporte rodoviário de passageiros existentes no Baixo Alentejo, a empresa privada Rodoviária do Alentejo, "suprimiu várias carreiras".

"Há poucos transportes e em horários que não servem as necessidades da população", lamentou, frisando que o movimento "não compreende que, após o início do desconfinamento", a população do concelho "continue privada de várias carreiras", porque "já estão reunidas algumas condições para repor e até aumentar o número de carreiras".

A situação levou o movimento a realizar hoje uma tribuna pública na vila de Ferreira do Alentejo para os utentes exigirem "mais e melhores transportes" e "um maior respeito por quem precisa de transporte público", explicou Paulo Conde.

Na tribuna, o movimento aprovou uma moção a exigir à autoridade de transporte público da região, a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), e à Rodoviária do Alentejo que "tomem as providências e medidas adequadas para resolver o problema".

Na moção, o movimento considera "imprescindível" e "exige" que "sejam repostos os horários suprimidos e, ao mesmo tempo, reforçadas as carreiras" para os utentes de transportes públicos poderem "viajar em segurança e respeitar as normas em vigor" e determinadas pelas autoridades de saúde devido à covid-19, disse.

"É uma responsabilidade de todos garantir o distanciamento físico, mas a atividade económica tem de continuar e tem de ser dada resposta às necessidades de deslocação das pessoas", refere o movimento na moção, frisando que "são os mais carenciados que mais necessitam de usar os transportes públicos".

Paulo Conde disse que o movimento já reuniu com a Rodoviária do Alentejo, que explicou que a redução da oferta de transportes se deveu à pandemia de covid-19 e levou a que a empresa colocasse vários trabalhadores em regime de 'lay-off' e remeteu para a CIMBAL.

O movimento também enviou um ofício à CIMBAL, a qual, na resposta a que a Lusa teve hoje acesso, explica que, devido à covid-19, os transportes públicos rodoviários de passageiros da região "estão a funcionar apenas com os serviços mínimos" e a ser "financiados com recurso a verbas transferidas do Orçamento do Estado pelas autoridades de transporte".

"O serviço é altamente deficitário devido à quase inexistência de passageiros no período pandémico que atravessamos", ao qual se juntou o período de férias, refere a CIMBAL, explicando que, "no final de julho", esgotou "quase na totalidade" as verbas para financiar os serviços mínimos e, por isso, teve de "optar por assegurar apenas algumas carreiras, dado o grande dispêndio que comportam".

A CIMBAL explica que a legislação "impossibilita" que o apoio aos operadores de transporte rodoviário "exceda mais de 50% da oferta habitual" e, por isso, está "a tentar manter um nível mínimo de serviço, de acordo com as disponibilidades financeiras" e irá "reavaliar a situação" este mês.

Na resposta, a CIMBAL indica que aguarda a divulgação das verbas destinadas à CIMBAL no Orçamento Suplementar para este ano e o início do novo ano letivo com aulas presenciais para "repor o normal funcionamento dos serviços".

Contactada hoje pela Lusa, a CIMBAL, através de fonte oficial, justificou a situação com os mesmos argumentos e prestou as mesmas informações que tinha dado na resposta ao movimento.

Lusa

 



Leia esta notícia na integra na edição impressa do Jornal «A Planície»
Untitled Document Untitled Document Untitled Document
25 25
16 15
 
 
 
 
 
 
 
 
Untitled Document
 
    © 2015 - Sociedade Editorial Bética, Lda